|
Para instalar o livro completo em seu computador, clique aqui Para continuar lendo on-line, navegue pelos botões à esquerda |
|
Livro Oriente << ARTIGO III >> Carlos Mariano
“Porei inimizades entre ti e a mulher, entre a tua descendência e
a descendência dela. Ela (PRÓPRIA) esmagará a cabeça e tu armarás traições ao seu calcanhar - Inimicitias ponam inter te et mulierem et semen tuum et
semen illius; IPSA conteret
caput tuum
et tu insidiaberis calcaneus eius” - (Cf. Gen III, 15)
No instante em que Adão crédulo, incautamente, participou do desacerto de sua mulher Eva, provando do fruto da Árvore, Deus promete uma Nova Eva e um Novo Adão, para a restauração da humanidade decaída; com a distinção transcendental de criaturas que éramos, tornássemos filhos de Deus por adoção e EM VERDADE. Dessa filiação, transborda exultante Santo Agostinho, num êxtase de libertação: “Oh, feliz culpa!”. O homem, ao adotar outro ser humano, transmite-lhe os direitos legais, concernentes à adoção. Porém, por mais que deseje, está, perpetuamente, impossibilitado de transmitir ao adotado, o seu patrimônio maior, ou seja, o patrimônio genético: o seu DNA. O adotado pode e deve, gozar de todas as prerrogativas e regalias da filiação biológica, principalmente, ser amado ternamente, como um filho das entranhas. Por outro lado, por mais que se almeje e se ame o adotado e as convenções sociais o determinem, jamais será um filho EM VERDADE; pois carece da seiva, das características genéticas. Ora, o seu pai e mãe próprios são outros, que os adotantes. Os filhos por adoção, vezes sem par, são favorecidos e cercados de maiores atenções que os demais filhos; consciente ou inconscientemente, os pais adotivos buscam dessa forma, mitigar os imaginários recalques advindos da privação genética do adotado. Na realidade, são amados tanto quanto os demais filhos; porém, a inibição do “gens”, do “genoma”, exige mental e falsamente, demonstrações explicitadas de carinho especial; nem sempre absorvidas tranqüilamente pelos outros irmãos, gerando cenas de ciúme. Esse amor dispensado a filhos não gerados é bíblico, encontra sua raiz na Divindade: “Deus amou de tal forma...” (Cf. Jo III,16).“Quem acolher a um desses pequeninos é a Mim que acolhe” (Cf. Mt XVIII, 5); ou então: “A ninguém chameis pai sobre a terra, porque um só é vosso PAI, o que está nos céus” (Cf. Mt XXIII, 9). De maneira que, o que conta mesmo é o amor. Assim, o que nós nas limitações da carne, não podemos completar, Deus o fez por amor de todos nós, encarnando-se no seio puríssimo de Maria Sua e nossa Mãe Santíssima. Pela comunhão (comum união) do Seu Sagrado corpo, fazemo-nos um só com Ele; a seiva divina percorre todo o nosso ser e desta forma, recebemos a vida e a VIDA EM ABUNDÂNCIA. Somos enxertados na divindade; não com um enxerto desenvolvido pela tecnologia humana e efetuado pelos nossos hábeis agrônomos; mas, por Obra e Graça da Onipotência Divina. A adoção cai por terra, ao nos tornarmos filhos EM VERDADE, co-herdeiros com Jesus. Oh, Onipotência, que nos regeneras onipotentes: “quão tarde te amei!”. Isto não é filosofia, muito menos utopia; é confiança na palavra de Jesus: “Vós sois deuses” (Cf. Jo X,34). “Ó profundidade das riquezas da sabedoria e da ciência de Deus! Quão incompreensíveis são os seus juízos e imperscrutáveis os seus caminhos” (Cf. Rom XI,33). No momento em que Nossa Senhora, a Eva preanunciada, a Mulher que circundou o Homem: "femina circundabit virum" (Cf. Jer XXXI,22), a obra prima de Deus, a única criatura a receber plenamente o Espírito Santo: "Ave gratia PLENA, Dominus tecum" (Cf. Lc I,28); recebeu Jesus em Si, cumpriu, antecipadamente, o desejo de Jesus: "Que todos sejam um, Pai, como Eu e Tu somos um"; realizou em Si, com o seu majestoso "FIAT", o que bem mais tarde, São Paulo explicaria aos Coríntios: "O que está unido ao Senhor é UM SÓ espírito com Ele" (Cf. ICor VI,17). Não houve, não há, nem haverá quem possa unir-se, tão direta, completa e intimamente com Deus, senão aquela que O trouxe no Seu sacratíssimo ventre. Isto, não é um mero proselitismo doutrinal, é conclusão racional. Basta, debruçar-se sobre o assunto; meditar as palavras estampadas na Bíblia. Será que os nossos irmãos separados, os protestantes e os nossos irmãos mais velhos, os judeus, não se apercebem do óbvio! Quem não assimila o que está claro, patente, o que salta aos olhos, preparou-se para assimilar, para perceber o que? Se Jesus, na Sua aparição sobre a sarça, foi zeloso a ponto de dizer a Moisés: “Tira as sandálias dos pés; porque o lugar em que estás, é uma terra santa” (Cf. Ex III, 5); que nos fará o Salvador quando, irreverentes, dirigimo-nos à Santa Maria, o Sacrário vivo que O trouxe ao mundo? Há os que suportam ofensas pessoais e até as perdoam, porém, dificultosamente, dirigida à própria mãe, uma ofensa será perdoada. É de uma clareza meridiana, cristalina, a palavra de Jesus com referência ao pecado contra o Espírito Santo, que não será perdoado nem neste século, nem no futuro. Porque: “Ou dizei que a ÁRVORE é boa e o seu FRUTO bom; ou dizei que a ÁRVORE é má e o seu FRUTO é mau; pois que pelo FRUTO se conhece a ÁRVORE” (Cf. Mt XII,33). Dizer que Jesus é bom e que Nossa Senhora nem tanto, é o tipo de bajulação estúpida, que não agrava Nossa Senhora, mas ofende Nosso Senhor. Não há coração filial “nem neste século nem no futuro” que possa suportar. Elevem Maria aos píncaros; que as areias do mar se convertam em línguas, para louvarem Seu Santíssimo Nome; prostrem-se as potestades aos seus pés; que as estrelas do céu coroem Sua cabeça; bendigam os céus e a terra à Onipotência Suplicante, pois Maria é a Mãe do Criador, a Mãe do Salvador, a Esposa do Divino Espírito Santo: o verdadeiro AMOR do Pai e do Filho. Não por eleição de Maria, nem por pregação da igreja, menos pela minha devoção mariana; mas, porque: “O Senhor fez em Mim maravilhas, SANTO É SEU NOME - Quia fecit mihi magna qui potens est:ET SANCTUM NOMEN EJUS” (Cf. Lc I, 49). Donde se infere, que independe do nosso querer ou deixar de querer, pois, assim o determinou, desde toda a eternidade, a Providência Divina: MARIA, Mãe de Deus; MARIA, Mãe da Igreja; MARIA, Imaculada Conceição. Por mais que se louve, por mais que se pretenda bendizer o Santíssimo Nome de Maria, estaremos sempre aquém da real magnitude de MARIA, por sermos limitados e finitos. Não há, na redondeza da terra, com quem, menos ainda com que, comparar a grandeza incomensurável de Maria. Pois Maria, não tem similar; MARIA é singularíssima. Maria é Mãe do Criador, Mãe do Incriado; como definir, como explicar? Brademos alto e bom som: Maria é a Mãe de Deus e nossa. É dar crédito e cair de joelhos.
Não admitem os que se sujeitam a doutrinas estapafúrdias e pecam igualmente,
os que ouvem tais doutrinas e se calam por respeito humano. Ou aceitamos Maria
tal qual Ela é, ou viveremos à margem, pelo livre arbítrio que Deus nos
concedeu: “Deus criou o homem desde o princípio e deixou-o a cargo do seu
próprio juízo”; ou: “Diante do
homem estão a vida e a morte, o bem e o mal; o que lhe agradar, isso lhe será
dado” (Cf. Eclo XV, 14.18). Para
os nossos irmãos mais velhos, os judeus e para os nossos irmãos separados, os
protestantes, que não aceitam o Livro do Eclesiástico como canônico, que se
reportem ao Deuteronômio (Cf. XXX, 15.19); ao Livro dos Provérbios (Cf. I,
23-26) e Mateus: “Jerusalém, Jerusalém,
que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados, quantas vezes
eu quis juntar teus filhos, como a galinha recolhe debaixo das asas os seus
pintos e tu NÃO QUISESTE!” (Cf. Mt XXIII, 37). O não
querer, encontra respaldo no Livre Arbítrio, com
a conseqüência: “Eis que será deixada deserta a vossa casa”
(Cf. Mt XXIII, 38).
Não estou pretendendo, com o que foi dito até aqui, induzir ninguém a adorar
MARIA, pois o culto que se deve à Maria é de HIPERDULIA: como Rainha dos Anjos
e dos Santos. Porém, mesmo assim, lanço a pergunta: Ajoelhar é adorar, ou
reverenciar?
No Apocalipse de São João, lemos que, após ter ouvido e visto as coisas que
vinha relatando, prostrou-se aos pés do anjo para o adorar e o anjo lhe disse:
“Vê, não faças tal, porque eu sou um servo como tu, como TEUS IRMÃOS os
profetas e aqueles que guardam as
palavras da profecia deste livro. ADORA A DEUS”. (Apoc XXII, 8 – 9).
A dar fé nas aparições, todos os videntes ajoelharam-se frente à Santíssima
Virgem e a nenhum deles a Senhora aconselhou: “Não faças tal”. Os
videntes em Medjugorje, quando Maria lhes aparece, como que sincronizados, caem
de joelhos. Também estes, jamais escutaram de Maria: “Vêde,
não façais tal”.Ora, quando nós nos prostramos de joelhos frente
ao Santíssimo Sacramento, é um ato de adoração; quando os videntes caem de
joelhos frente à Senhora, Rainha do Céu e da Terra, é por reverência? –
“Ó profundidade das riquezas
da sabedoria e da ciência de Deus! Quão incompreensíveis são os seus juízos
e imperscrutáveis os seus caminhos! ...”
Para os que foram agraciados em ler a Bíblia no seu original, perceberam que o
nome MARIA, está na primeira página. Para ser mais preciso: No Livro do
Gênesis, capítulo primeiro, versículo dez. Nós, os crentes, sabemos que nada
acontece por acaso. Eram os latinos pagãos, que pensavam que: “O acaso
pode mais que a razão” - “Fors plus quam ratio potest”. A
distinção consiste em que naquilo que eles julgavam “acaso” nós vemos o
Dedo de Deus. Jesus, pelos evangelistas Mateus (V, 18) e Lucas (XVI, 17) nos diz
que antes que passem o céu e a terra, não
será omitido um trema, ou pontinho da Lei, sem que tudo seja realizado. Maria,
evidentemente, não é um trema, menos ainda um pontinho, é um Nome, sobre o
qual foram escritos uma infinidade de livros. O nome Maria, continuará sendo um
“sacramentum”, um mistério indecifrável. Porém, o nosso “saber”, o
nosso orgulho, não pode ser sobrepujado e assim apelamos para duas
SUPOSIÇÕES, uma
delas significando Senhora e a outra Amada de Deus. Duas definições
espetaculares, não fora Maria a Mãe de Deus! A Mãe dos vivificados, por Jesus
Vivificador!
Maria desponta na primeira página do Gênesis e se traduz pelo plural de mar:
Mares. Ora, é sabido que no início havia um conjunto de águas e um só
continente, denominado “pangéia”. A fissuração dessa pangéia é que
originou os atuais continentes e mares: Mar do Norte, Mar da Noruega, Mar
Tirreno, Mar Mediterrâneo e tantos outros. A uma grande massa de águas
salgadas denominou-se Oceano, em homenagem ao “Oceanus”, deus do mar e
esposo de Tétis, na mitologia grega.Veja que “Oceanus” é deus do mar e
não dos mares, porque mar é um coletivo de grande massa de águas. Da mesma
forma, convencionou-se e com razão, dar a Nossa Senhora o título de “Stella
Maris”, Estrela do Mar. Traduzir Maria como mares é um recurso simplista, de
fugir a confusa e nem sempre convincente exegética. Maria, traduzido por mares,
está convencionado, como convencionado está que o sol nasce e se põe, quando
a Terra é que gira em torno do Sol. O Sol nascer e se pôr, está convencionado
errado, mas nem por isto há de se alterar o seu curso. O curso ótico.
O mar é fonte de vida, em consonância com o Gênesis: “Os quais
foram produzidos pelas águas, segundo a sua espécie”. Donde se
deduz e a ciência não pode negar, pelo contrário, confirma, que onde não há
água, não há vida. Daí o óbvio: Sem Maria não existe vida; não haveria a
Vida que Jesus nos trouxe: A VIDA EM ABUNDÂNCIA. Essa Vida em abundância, pode
e deve ser antegozada espiritualmente e por acréscimo, gozada materialmente.
Posto que o corpo é saudável na proporção da saúde do espírito. Um
espírito é saudável, quando bem orientado; quando tem um caminho a percorrer,
com uma meta em vista. Desta maneira, os percalços vivenciais são barreiras a
serem vencidas, até que se atinja o Supremo Alvo. É o que nos ensina São
Paulo (Cf. 2Tim IV, 7).
“Porei inimizades entre ti e a Mulher, entre a tua descendência e a
descendência d’Ela. Ela (MESMA) te esmagará
a cabeça e tu
armarás traições ao
seu CALCANHAR”. O calcanhar de Maria Santíssima, no sentido
próprio é inatingível. Resta-nos entendê-lo figurativamente, no sentido de
ponto fraco. Aos pés da Cruz, a Onipotência Suplicante, viu-Se impotente e o
Drama desenrolou-se, em conformidade com o preestabelecido pelo Pai. Era
necessário o cumprimento da profecia de Simeão, que uma espada Lhe
traspassasse a alma. Agora é diferente, a Onipotência Suplicante, ora por
nós, protege-nos. Nós, os filhos pecadores, somos o “calcanhar”, Seu ponto
fraco, “feridos e atormentados”, vencidos não. Graças a Nossa Senhora; por
deliberação de Nosso Senhor! *
* * * * * * * *
|
|