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Livro Oriente << ARTIGO IV >> Carlos Mariano
“José seu esposo, sendo justo. . . Ioseph autem vir eius, cum esset iustus . . .”
O evangelista São Mateus cita São José nos dois primeiros capítulos do seu Evangelho. São Lucas, diz que o anjo Gabriel foi enviado a uma cidade da Galiléia chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão, chamado José; volta a São José, na “Genealogia de Jesus”. São Marcos, omitindo José, diz ser Jesus o carpinteiro filho de Maria, concluindo São João: “Porventura não é este aquele Jesus, filho de José, cujo pai e mãe conhecemos?”.
Na genealogia elaborada por São Mateus, São José é filho de Jacó, na de São Lucas, filho de Heli. O exegeta, o hermeneuta, ou seja, a pessoa que comenta e interpreta textos, explica que São Mateus transcreve a genealogia natural, enquanto que São Lucas a legal. Por outro lado, no Antigo Testamento, o sogro de Moisés é chamado Raguel pelo narrador “javista” e Jetro, pelo narrador “eloísta”. São Paulo é Saulo, Dídimo, São Tomaz que é Tomé e assim por diante.
São José era um homem justo; isto sim, é o que interessa. Este é o busílis da questão, o ponto principal a ser abordado e esclarecido, se Deus for servido e me der transmissão e ao leitor compreensão.
Prefigurou São José, em justiça, aquele outro José, que os patriarcas venderam aos egípcios. Relata-nos a Bíblia, nos capítulos finais do Livro do Gênesis, que a mulher de Putifar pôs os olhos em José e desejou dormir com ele. José poderia ter dormido com ela, sem transgredir a lei, porque a lei nos veio por Moisés e Moisés não havia nascido. Onde não há lei, não existe transgressão, nos diz São Paulo. Por isso, José poderia ter dormido com ela e vivido uma vida regalada. Mas, por ser um homem justo, considerou que “dormir” com a mulher do seu senhor, que tudo lhe tinha posto à disposição, exceto a própria mulher, seria operar contra a sua consciência e, conseqüentemente, contra Deus.
Anteriormente aos patriarcas, filhos de Israel, Abraão, patriarca mor do povo hebreu, habitou como peregrino em Gerara e falando de Sara sua mulher, disse: “É minha irmã”. Abimelec, quis tomá-la para si. Deus apareceu-lhe em sonho: “Eis que morrerás, pela mulher que roubaste, porque ela tem marido”. Abilemec, Rei de Gerara, mesmo sem ter tocado na mulher de Abraão, justificou-se retrucando: “Fiz isto na simplicidade do meu coração e com pureza das minhas mãos”. E Deus: “Sei que procedeste com um coração simples; por isso, TE PRESERVEI DE PECAR CONTRA MIM E NÃO PERMITI que a tocasses”. Idêntica história acontece com o filho de Sara e Abraão, Isaac marido de Rebeca.(Cf. Gen XII, 16 ss; XX, 1 ss e XXVI, 7ss).
Temerário. Sim, temerário foi Oza, na eira de Nacon, quando estendeu a mão para a arca de Deus e susteve-a, porque os bois escoicinhavam e tinham-na feito pender. O Senhor indignou-se muito contra Oza e feriu-o pela sua temeridade; caiu morto ali mesmo, junto da arca de Deus (Cf. 2Sam VI, 6 ss).
O Novo é a realização plena do Antigo Testamento, de vez que, para nós cristãos, Jesus Nazareno é o Messias prometido, o Emanuel, o Deus conosco. E o povo judeu, apesar de ainda não admitir Jesus como o Messias, o Filho de Deus, continua e continuará sempre a ser o povo eleito; em que pese o véu, que a seu tempo, chegada a hora, conforme São Paulo lhe será desencerrado; lhe será retirado.
O nosso Deus é um Deus zeloso e identifica-se com os seus. Isto constata-se no Antigo e o Novo Testamento não deixa por menos. Quando Saulo dirigiu-se a Damasco para prender cristãos, Jesus se faz um só com eles: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”.
A unidade, é o objetivo da oração de Jesus ao Pai: “Que todos sejam um, Pai, como Tu e Eu somos um”. Assim, quando o Divino Espírito Santo desce sobre Maria e a virtude do Altíssimo a cobre com Sua sombra, faz uma só coisa com Ela. Isto não é um querer dos católicos, é o desiderato do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Após as divagações acima, acrescentando o decreto do Faraó aos egípcios, que dobrassem os joelhos diante de José (vide Gen XLI, 43), devemos estar aptos para vislumbrarmos, racionalmente, quem é São José, o homem preparado por Deus para proteger moral e fisicamente, os seus dois tesouros maiores: Sua Mãe e Seu Filho muito amados. Invocando São José, rezaremos com mais proveito as Ave-Marias, no tocante a sua segunda parte: “Santa Maria, Mãe de Deus...”
Se Deus foi zeloso com a arca, que trazia as duas pedras da Lei, a florescente vara de Arão e o gomor com maná; a ponto de Oza ter morrido por tê-la tocado, que será do homem que menoscaba a “Foederis Arca”, a Arca da Aliança, que trouxe no Seu Ventre a Jesus Salvador? Cônscio estava São José da responsabilidade tremenda, que lhe fora atribuída por Deus.
“Nolite errare: Deus non irridetur - Não vos enganeis: de Deus não se zomba” (Cf. Gal VI, 7). Não brinquem com São José lídimo, legítimo representante de Deus, na figura de Chefe da Sagrada Família, imputando-lhe a temeridade de Oza, como se possível fora a São José aproximar-se da Santa Mãe de Deus, sem o devido respeito; sem o devido acatamento; sem a devida veneração à Obra Prima de Deus Pai. “Quia fecit mihi magna, qui potens est, et sanctus nomen eius - Porque o Senhor fez em mim maravilhas: Santo é o Seu nome” (Cf. Lc I,49).
Peço ao eventual leitor, que não se engane, pois, não estou procedendo a defesa de São José, ele não precisa da minha defesa, eu é que necessito de sua intercessão. Bom seria se a minha devoção a São José fosse piedosa, simplória. Porém, sou leigo, no sentido mais próprio da palavra: secular, temporal, mundano, laical; não tendo, por conseguinte, ordens sacras. Desta forma, o que apurei de São José, não é simples fruto da doutrina, mas da pesquisa. Tudo em consonância com Jesus: “Examinai as Escrituras”. (Cf. Jo V, 39).
Por outro lado, atentemos que, a leitura e o conhecimento mais profundo das Escrituras, não salva ninguém. Exemplo disto, nos dá o próprio Satanás pelo conhecimento que demonstrou nas “Tentações de Jesus” exarado nos “Evangelhos sinóticos”, marcadamente em Mateus e Lucas, capítulos IV, 1 e seguintes. Neste particular, tanto os ateus quanto os “intelectuais”, discordam de Satanás, pois, enquanto Satã recorre às Escrituras com conhecimento de causa, os ateus e os ditos intelectuais, confundem-nas com “estórias da carochinha”. Porém, tanto um quanto outros, têm uma eternidade para discutirem o assunto.
Festeja-se São José duas vezes cada ano: 19 de março e 1o. de maio e bom seria que se visitasse a igreja nesses dias em memória do grande santo; melhor seria e de mais proveito, mandar celebrar e assistir missas. Pio IX, em 1871, declarou-o Padroeiro da Igreja Católica. Santa Tereza de Jesus, também conhecida por Santa Tereza d’Ávila, dizia: “Não me lembro de ter-me dirigido a São José, sem que tivesse obtido tudo que pedira”. Dizia mais: “Recorram todos a São José, para obter a pureza do corpo, da alma e do espírito”.
Depois de tudo que se registrou, falar sobre os intitulados “irmãos de Jesus” por São José, é de uma pobreza espiritual comovedora; o que fazer? Passar em branco? Convencido que: “Se não ouvem Moisés e os profetas, tampouco acreditarão, ainda que ressuscitasse algum dos mortos” (Cf. Lc XVI, 31), vou citar trechos, que os nossos irmãos separados leram, entenderam e jogaram para trás das costas, pois, não lhes convêm compreender. Vejamos: “Taré gerou Abrão, Nacor e Aran. Aran, gerou Lot” (Cf. Gen XI,27). Ora, se Abrão é irmão de Aran, o filho de Aran é sobrinho de Abrão. No entanto, no Capítulo 13, versículo 8, Abrão diz a seu sobrinho Lot: “Peço-te que não haja contendas entre mim e ti, nem entre os meus pastores e os teus pastores: porque SOMOS IRMÃOS”. Adiante, na narração das Crônicas, lemos: “Dos filhos de Caat, o principal era Uriel, com seus irmãos, em número de CENTO E VINTE. Dos filhos de Merari, o principal era Asaía, com seus irmãos, em número de DUZENTOS E VINTE (Cf.1Cron XV, 5ss). Considerando, que o último patriarca a viver novecentos e cinqüenta anos foi Noé, por ter o Senhor Deus estabelecido que o número de seus dias serão cento e vinte anos (Cf. Gen VI, 3), como explicar tantos filhos a Caat e Merari? Não tem como, senão entendê-los “descendência comum”.
No Novo Testamento, Jesus ao ressuscitar dos mortos diz a Maria Madalena: “Vai a MEUS IRMÃOS e dize-lhes: subo para MEU PAI e VOSSO PAI, meu Deus e vosso Deus” (Cf. Jo XX, 17-18). Maria Madalena entendeu perfeitamente o recado e foi dar a nova AOS DISCÍPULOS. Os “irmãos de Jesus”, eram os seus discípulos. Lendo a história de Sansão (Cf. Jz XIII, 1 ss), fica ainda mais claro a extensão do termo “irmãos”. Conta-nos o Livro dos Juizes, que havia um homem chamado Manoá, à mulher do qual apareceu um anjo do Senhor que lhe disse: “Tu és estéril e SEM FILHOS, mas conceberás e darás à luz UM FILHO”. A história se desenrola e, no capítulo quatorze, Sansão diz a seus pais que viu em Tamnata uma mulher, das filhas dos filisteus e a quer por esposa. Seu pai e sua mãe disseram-lhe: “Porventura não há mulheres entre as filhas dos TEUS IRMÃOS?”. Sendo Sansão filho único, só os apoucados, intelectivamente, é que não alcançam que os “irmãos de Sansão” eram os seus parentes, da linhagem de Dan. Tal qual os, maliciosamente, explorados “irmãos de Jesus”, tão propalados pelos nossos “irmãos” separados, que Lhe subtraem a irmandade tribal.
O próprio Moisés, ao preanunciar o Messias, diz: “O Senhor teu Deus te suscitará um profeta como eu, da tua nação e dentre os TEUS IRMÃOS; a este deves ouvir” (Cf. Deut XVIII, 15).
Todavia, bem diz o provérbio: “Para os que crêem, nenhuma explicação é necessária; para os que não crêem nenhuma explicação é suficiente”; subentendido: “o pior cego é aquele que não quer ver”, aquele que tapa os olhos com as mãos, por conveniência do proselitismo; da militância das seitas, que se multiplicam danosamente.
Que São José, irmão dos descendentes da família de Judá, pai nutrício de Nosso Senhor Jesus Cristo, Bem-aventurado esposo da Santíssima e sempre Virgem Maria e Padroeiro da Igreja Universal, se apiede dos que blasfemam e que rogue por todos nós: crentes, descrentes e maldizentes. E que assim seja.
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