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Livro Oriente << ARTIGO VII >> Carlos Mariano
“Tendo-O descido (da cruz), envolveu-O num lençol - Et depositum involvit sindone”. (Cf. Lc XXIII, 53)
Na ocasião em que Nosso Senhor foi apresentado no Templo, por Nossa Senhora e São José, o Velho Simeão predisse: “Eis que Este está posto para ruína e para ressurreição de muitos em Israel e para ser ALVO DE CONTRADIÇÃO” (Cf. Lc II,34). Desde então, a profecia do velho e santo Simeão vem-se cumprindo à risca, dia após dia, através dos séculos.
Contradição, é a contestação entre afirmações atuais ou anteriores, entre palavras e ações. Um, entre milhares de outros exemplos, é o Santo Sudário que, para os que crêem, trata-se do lençol com que, José de Arimatéia, envolveu Jesus, quando do Seu sepultamento.
Se o Santo Sudário é falso, como propalam os que não crêem na sua veracidade e se eu, porque creio, pretendo dar ao falso cores de real, estou mais para Satanás, pai da mentira, do que para filho de Deus, Suprema Verdade. Argumentar falsa e intencionalmente, para induzir outrem em erro, é sofisma. E Deus, além de não necessitar de sofismas, abomina toda e qualquer mentira, pois, do contrário, não seria Ele: VIA, VERITAS, VITA - O Caminho, a VERDADE e a Vida.
Portanto, cônscio desta responsabilidade, pedindo a Deus que me ilumine, para não faltar com a imparcialidade, é que me volto para esta “contradição”, que é mais uma, entre outras que o profeta Simeão, predisse à Senhora e a São José. Eu afirmo, pelos olhos da fé, que o Santo Sudário é verdadeiro, não havendo de faltar quem o contradiga, a fim de que a CONTRADIÇÃO predita prevaleça, permanecendo.
Da mesma forma, as santas mulheres foram dar parte aos “irmãos” de Jesus, os seus discípulos, que o Mestre havia ressuscitado e que os precederia na Galiléia, onde o veriam (Cf. Mt XXVIII, 10). As santas mulheres, sem outras explicações, entenderam que os irmãos, aos quais Jesus se referia eram os seus discípulos; os nossos “irmãos” separados, após séculos de leitura bíblica e com todas as explicações que lhes foram dadas, não alcançaram e ainda não entenderam. E por que? Para que se cumpra neles, a CONTRADIÇÃO predita. Se todos aceitássemos os irmãos de Jesus, os seus discípulos, os seus afins da tribo de Judá e nós todos filhos de Deus, por Maria nossa Mãe comum, não haveria protestante, não se cumpririam as Escrituras, não haveria CONTRADIÇÃO. Pelo menos, no que toca aos explorados “irmãos” de Jesus.
Quando o Santo Sudário, em 1978, foi examinado por uma equipe norte-americana de cientistas, o Dr. John H. Heller, biofísico, por profissão e protestante pela fé, resolveu, vez por todas, desmascarar àquela “farsa”. O tiro lhe saiu pela culatra, pois, como homem de ciência e sério, não achou indigno de si e da religião que professa, quedar-se reverente sobre as evidências do fato. Em conseqüência, deu corpo a um artigo que a “Seleções do Reader’s Digest” publicou, sob o título de “O MISTÉRIO DO SUDÁRIO”. Quem teve a felicidade de ler o referido artigo, concluiu que o Sudário é mesmo um “sacramentum”, um mistério, bem de acordo com o escrito denominado pelo Dr. Heller.
Posteriormente, submeteram um fragmento do lençol ao teste do “carbono-14” e, efetivando a “Contradição”, deduziu-se que o pedaço de pano examinado, tinha uma idade aproximada de setecentos anos; ora, Jesus havia sido envolto no lençol há dois mil anos, cronologicamente, o Sudário era uma fraude.
Mero engano. Pois, para reacender a “Contradição”, uma nova equipe de cientistas, aprofundando as pesquisas, percebeu que o “carbono-14” limitara-se a aproximar a idade das bactérias que, no decurso dos séculos, se acumularam na superfície e, paulatinamente, se introduziram no material poroso do tecido. Portanto, o “carbono-14” não detectou o período existencial do pano e sim dos microrganismos. Em decorrência, o título do artigo elaborado pelo Dr. John H. Heller, permanece atual: “O MISTÉRIO DO SUDÁRIO”.
Com relação ao Santo Sudário, além da associação que venho procedendo entre os que dizem e contradizem, perpetuando a “contradição”, não existe profecia. Nem o Senhor Jesus, nem os Evangelistas, tampouco algum dos profetas, registrou que um lençol estamparia a figura flagelada do nosso Mestre e Senhor. O que se sabe a respeito, é que a peça apareceu há seiscentos e quarenta anos e que por mais de quatrocentos, pertenceu à família real de Sabóia e com a morte do rei Umberto, foi doada ao Vaticano, que se não opôs a que ficasse em Turim, na mesma Itália. O pano, vinha desfrutando um misto de lenda e devoção piedosa e assim continuaria por séculos afora; não fosse a ânsia dos cientistas, tudo permaneceria como dantes: uma devoção piegas, lendária e não “contraditória”.
A Santa Sé, precavida como foi e sempre será, não se manifestou oficialmente sobre o Santo Sudário. O que existe é uma especulação científica e não um pronunciamento dogmático. Um dogma requer uma bula ou decreto pontifício e só se dá mediante longos e acurados exames sobre o assunto proposto. Assim ocorreu com o dogma da Imaculada Conceição, que Santo Agostinho havia desejado e o Concílio de Trento doutrinado, mas que só veio a ocorrer em 08 de dezembro de 1854; ora, Santo Agostinho, nosso grande Doutor, tinha entregue sua alma ao Criador em 430, mil e quatrocentos e vinte e quatro anos antes e o concílio de Trento aconteceu em 1546, trezentos e oito anos, também antes à promulgação do dogma. Cumpre dizer, que o dogma da Imaculada Conceição, decretado pelo Papa Pio IX, quinze anos após, logo, em 1869, o Concílio Vaticano I, eleva a dogma a Infalibilidade pessoal do Papa. Destarte, Maria, Nossa Mãe Santíssima, retribui honra com honra e prodigaliza à igreja o remédio mais salutar, para curar os males daqueles e dos nossos dias. No rol dessas maravilhas, pecaria por omissão, se deixasse passar em branco a pessoa de Bernadete de Soubirous, a graciosa menina a quem Nossa Senhora por dezoito vezes se revelou e perguntada por Bernadete quem Ela era, apresenta-se: “EU SOU A IMACULADA CONCEIÇÃO”. Ficou assim ratificado, celestemente, o dogma de Sua Conceição Imaculada.
O Dr. John é um cientista, eu não. Ele examinou o lençol sob os olhos frios da ciência e deu seu parecer; ao passo que eu, vejo o Santo Sudário com os olhos ardentes da fé, independo do parecer científico. E, como explicar a fé? “A fé, nos diz Santo Agostinho, é acreditarmos naquilo que não vemos; a recompensa da fé, é vermos aquilo em que acreditamos”. A vida prática nos ensina, que a fé, é a gente estar num beco sem saída, certo que Deus deparará uma. A fé acredita no possível, frente o impossível. A fé, reconhece no acaso, a Providência Divina e não que as coisas aconteçam por acaso.
O Santo Sudário, por exemplo, não apareceu por acaso; ele está cumprindo o seu papel e não se desintegrará, enquanto tudo que lhe diz respeito, não for cumprido; enquanto tudo o que lhe foi designado, não tiver sido consumado. Os povos pagãos, latinos, diziam: “Fors plus quam ratio potest – O acaso pode mais que a razão”. Esta tirada filosófica, está repleta de sabedoria humana, mas não de Sabedoria Divina. Ora, os povos latinos e gregos, liam pela mesma cartilha e prestavam culto a uma fábula de deuses, inclusive ao Deus Desconhecido. Este, São Paulo quis dar a conhecer no Areópado de Atenas, os gregos lhe viraram as costas. E assim, os intelectuais da época, continuaram ignorando o Deus Desconhecido, a fonte de nossa intelectualidade; a fonte da Sabedoria: “(Verbum) erat lux Vera, quae iluminat omnem hominem, veniens in mundum – (O Verbo) é a luz verdadeira que ILUMINA TODO HOMEM que vem a este mundo” (Cf. Jo I,9). A Sabedoria de Deus, envolve a terra como uma névoa e age como a chuva que, indistintamente, cai sobre o justo e o injusto, sobre crentes e descrentes. É o que nos explica o Livro da Sabedoria, o qual os nossos irmãos mais velhos (os judeus) e os nossos irmãos separados (os protestantes), ignoram.
Quando Fulton Scheen, celebérrimo Arcebispo de Nova Iorque, disse que “a fé é um dom que vem de cima”, ele sabia o que dizia, pois dizia o que sentia. A Epístola de São Paulo aos Hebreus, dedica um capítulo inteiro, com os seus quarenta versículos, sobre a natureza da fé (Cf. Hebr XI, 1-40). Principia assim: “Ora, a fé é o fundamento das coisas que se esperam e o argumento das que se não vêem”; mais adiante: “Pela fé reconhecemos que o mundo foi formado pela PALAVRA (Verbo) de Deus, de sorte que o visível foi feito pelo invisível”; “Pela fé, caíram os muros de Jericó, só com o dar voltas ao redor deles por sete dias”. A fé, só é compreensível para aqueles que a possuem; a fé é dada aos pequeninos e simples de coração e escondida aos que se julgam sábios. O mesmo se dá com o Sudário, pois o crente não carece de uma constatação científica, pois: “para os que crêem, nenhuma explicação é necessária; para os que não crêem, nenhuma explicação é suficiente”.
Desta maneira, para os que não crêem na realidade do Santo Sudário, eu me expresso por uma linguagem estranha; proclamo, mas não atinjo. Se assim é, para que escrever? Única e exclusivamente, para cumprir um dever em consciência; não para angariar prosélitos.
Sobre a dificuldade do crer ou não crer, três linhas: A mãe de Lúcia, vidente de Fátima, desenganada pela junta médica, curada milagrosamente, assim se pronunciava: “Eu sei que Nossa Senhora me curou, mas não creio!”. Que fazer?! ...
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