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Livro Oriente << ARTIGO VIII >> Carlos Mariano
“É coisa louvável manifestar e publicar as obras de Deus - Opera autem Dei revelare et confiteri honorificus est” (Tob XII, 7)
O concílio Vaticano II, com todos os benefícios que nos trouxe, refletiu em setores recalcados como verdadeira válvula de escape que, basbaque, se pôs a serviço da militância marxista, gerando uma balbúrdia. Houve cassações de santos; queima de genuflexórios; banimento do Santo Rosário; da Ladainha de Nossa Senhora. A oração a São Miguel Arcanjo, recitada depois das Missas e prescrita pelo Papa Leão XIII, foi abolida e tida como uma velharia. Uma enxurrada de pastorais dúbias convivia pacífica, par e passo com um festival de asneiras leninistas. A teologia liberticida gozava o seu momento áureo. Padre cantava, dedilhando na viola: “quem sabe faz a hora não espera acontecer”, era uma barbaridade. Vivia-se um “sagrado ofício”, quem não aderisse não era considerado bruxa ou feiticeiro, era “quadrado”; não ia para a fogueira, era “gelado”. Tão medonha era a época, que Sua Santidade o Papa Paulo VI, de saudosa memória, desabafou: “Estão demolindo a igreja”.
Caiu o muro de Berlim, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, após
“ter espalhado os seus erros pelo mundo”, conforme predisse em 1917 Nossa
Senhora em Fátima, desmoronou e os “intelectuais progressistas” viram-se
transformados, do dia para a noite, em retrógrados. Não se deram por achado,
porque com a mesma velocidade com que caíram, evoluíram de opinião. O
Comunismo cessou de fazer guerra ao capitalismo, paradoxalmente, porque lhe
faltou capital. As tetas de Fidel Castro, secaram; Moscou ficou endividado até
aos olhos. A esquerda festiva ficou sem verba para as esporádicas militâncias
e constantes “bebericos”. O triste, a malignidade do comunismo ainda
persiste, na assimilação de seus erros, pelos países de terceiro mundo. Essa
assimilação dos erros, pelas nações de baixa renda é o que preocupa a Santíssima
Virgem. Porque Deus quer salvar o homem pelo homem e enquanto o homem não
melhorar, o Inferno regurgitará.
Um dos efeitos mais perniciosos do pecado original, causa da vinda de Jesus ao
mundo, é a sede pelo dinheiro; a insaciável sede pelo dinheiro; via de regra,
quanto mais se tem, mais se quer. Se o ricaço de hoje, é de origem pobre, seu
terror em voltar ao estado primeiro leva-o a cometer desatinos, atingindo as
raias da loucura, sem disso se aperceber. A vivência de uma nação que se
presta a barganhas mais indecorosas, social-política-religiosa, só a graça de
Deus, pode impedir o risco de se tornar uma besta-fera. Todo o social que não
se baseia na religião, é um social falso, circunstancial, sensível só na
aparência, podre por si mesmo. A religião, nos dá justa medida entre o moral
e o imoral; sem religião, um homem é um
ser amoral; transforma-se num político que perdeu o senso do ridículo. Sem
religião o Estado é uma “espelunca de ladrões”, uma assembléia de
espertalhões.
Dentre as coisas boas e o jôrro de imundícies que adentram os nossos lares
pelos canais de televisão, consegui pinçar da novela “Dallas” que começaram,
mas não souberam acabar, um diálogo que retrata com fidelidade, por onde se
orientam numerosos ricaços. O personagem principal do seriado, que atendia por
J.R., era proprietário de uma fabulosa Companhia de Petróleo, cujos negócios
geria sem um mínimo de ética profissional. Um, dos muitos prejudicados, pelo
cartel que J.R. comandava, depois de uma longa exposição de um passado
honesto, observando a impassibilidade, a frieza insensível do articulador maior
do seu conseqüente desastre financeiro, lança-lhe a seguinte pergunta: “Como
é J.R., que você com essas manobras, que já levaram pessoas ao suicídio,
consegue dormir?”. Refestelado em sua confortável poltrona giratória,
responde: “É fácil; basta esquecer a Eternidade!”. O sistema comunista
provou a sua inviabilidade, mormente por ser ateu; mas, tem muito capitalista
que é ateu por conveniência: para poder dormir em paz, com a sua consciência
entorpecida.
Nossa Senhora
Aparecida, Padroeira do Brasil, dai-nos sensibilidade. Ordena, Imaculada Conceição
Aparecida, ao Primeiro Ministro o Arcanjo São Rafael, médico celestial, que
cure os nossos congressistas, injetando-lhes vergonha. Que não se bitolem aos
interesses escusos de seus partidos políticos, mas que visem o interesse da Nação
como um todo; que pensem largo e não estreitamente. Para que esta Nação,
Senhora Aparecida, venha a ser realmente grande, não só pelas demarcações
conquistadas pelo digno Barão do
Rio Branco, porém, grande e
poderosa em envergadura moral. Manda Senhora, o Príncipe Rafael acabar com
esses conchavos que enxovalham o povo brasileiro. Nossa Senhora Aparecida a Virgem Negra que em 1717, surge do Rio Paraíba, na rede de pesca de Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedroso. Em plena escravatura Ela se nos apresenta Negra, para transmitir o recado, que a diferença racial é a maior tolice que o homem possa praticar na face da terra. Somos todos irmãos: brancos, negros, vermelhos, amarelos e nós, mentecaptos que somos, depois de duzentos e tantos anos, temos que nos submeter a decretos para fazermos aquilo por força legal e não por força moral e muito menos por força do intelecto e do amor. Não existe nada de mais burro, que ter que respeitar o irmão por força de Decreto. Isto é a coisa mais bitolada, mais estúpida, mais aviltante que nos possa ocorrer, em pleno Século Vinte às vésperas do Vinte e Um. Termos que nos submeter à força do Decreto e não do intelecto. Há dois mil anos desce do céu à terra o nosso Deus e nos diz: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”, concentra toda a sabedoria Divina e humana e nós ainda estamos a nos rastejar, disputando terras e direitos humanos. O que nós não fizermos por amor, haveremos de fazer por terror. Padres que não acreditam na Palavra de Deus, ajudam a fomentar guerrilhas e incentivam lutas entre irmãos. Duas vezes malditos os que estudam a Palavra amorosa do Salvador e em nome dessa mesma Palavra, pregam o ódio. “Hipócritas, raça de víboras”, eram os qualificativos de São João Batista aos judeus fantasiados de sacerdotes e de cumpridores da lei. Nada mais provoca a Sagrada ira de Jesus, do que a hipocrisia: “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas” (Cf. Mt XXIII, 13-36); dizia: “Guardai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia” (Cf. Lc XII, 1). Ai daqueles, que em proveito próprio, pregam que se não deve dar esmolas aos pobres, porque a esmola dada em particular, incentiva o pedinte à malandragem. O que pretendem com esse sofisma, com essa pregação hipócrita, é adquirirem subsídios populares e polpudas verbas do Estado, para melhor “administrarem” a pobreza; a exemplo da indústria da seca, no nordeste brasileiro. Sectários de Zarur: aos pobres uma sopa rala, ao corpo administrativo caviar, regado com champanha. Altos salários, pois num final de contas, quem trabalha de graça é relógio. “Hipócritas, raça de víboras”. Os malandros e os inocentes úteis, dirão: “Mas nem todos são assim!”. Dizem bem, pois os poucos que são corretos e bem intencionados, é que formam a base na qual se apóia essa corriola de sanguessugas.
Quando a igreja saudável, não a ala doente, prega a existência do Inferno,
propagam que é para amedrontar, como se alguém pudesse entrar no Céu, por
medo do Inferno; como se o Céu fosse um antro de covardes. Jesus expulsou demônios,
não para amedrontar, mas para libertar os endemoninhados. Quando Jesus curou o
doente na piscina probática, ao encontrá-lo posteriormente, adverte: “Eis
que estás são, não peques mais, para que te não suceda alguma coisa pior” (Cf.
Jo V, 14). E o que é pior, a doença do corpo ou a perda da alma? Nós estamos
nos perdendo numa luta terra a terra e não temos tido tempo de olharmos para o
céu. A igreja saudável, não a ala doente, continua a nos convidar: “Sursum
corda - para o alto corações” e os latinos diziam: “Vive memor, quam sis
aevi brevis - vive lembrando-te, de quanto é curta esta vida”. Estes não
eram cristãos, eram pagãos.
A ala doente da nossa Igreja esqueceu, jogou para trás das costas, ou não leu
São Paulo: “Nemo militans implicat saeculi negotiis, ut ei placeat, qui
eum elegit - Ninguém, que se alistou na milícia de Deus, se embaraça com os
negócios do século, a fim de agradar aquele que o alistou” (Cf. 2Tim II,
4). Conheço cardeal, bispo e padre, que está mais embaraçado com os negócios
seculares, que novelo de lã enodado, entre as patas desajeitadas de um gatinho
brincalhão. E que esses “preclaros” não se avexem, pois bem diz o rifão:
“O melhor remédio para dor de dentes é mostrar a raiz ao sol”; ou
seja, arrancá-lo, extirpando o mal pela raiz. E o mal que nos aflige, é o
desencontro de idéias e ideais, no nosso clero que convive com a pecha de:
progressista, moderado, conservador. Isto é de um ridículo comovedor!
É a ala doente, que se submete a modismos: Tal moda, tal doutrina. Este livro, que dedico aos meus netos, traz o título de “Oriente”; mas o oriente, não é o meu livro, é o Papa; que para os progressistas é conservador, para os conservadores progressista e para os moderados, nem tanto à terra, nem tanto ao mar. Mas o Papa, não é nada disto; o Papa é o preservador da sã doutrina. A Igreja, meus netos, não somos nós, é o Papa. Quem, ninguém houve que o definisse melhor que Santa Terezinha do Menino Jesus: “O Papa é o doce Cristo visível na terra”.
Quando Jesus disse que Sua carne era verdadeira comida e Seu sangue verdadeira bebida, os judeus escandalizaram-se e um a um o deixaram. Jesus não saiu correndo atrás deles proclamando que eles eram a Igreja; simplesmente olhou para os Apóstolos e perguntou: “Quereis vós também retirar-vos?”. Porém, São Pedro, que de tolo não tinha nada, retruca:“Senhor, para quem havemos nós de ir?”. (Cf. Jo VI, 68). Nós nem aumentamos a Glória de Deus com a nossa presença, nem A esvaziamos com a nossa ausência. Logo a Igreja é Cristo, conosco ou sem nós próprios: E o Papa, o seu legítimo representante; ou seja, o Vigário de Cristo, a cabeça da Igreja. Posto que, um corpo sem cabeça, quer físico, quer místico, é uma monstruosidade.
O Livro de Tobias, que judeus e protestantes não consideram canônico, instrui sobre o valor das esmolas, praticadas individualmente. É por elas que Deus determina a cura dos olhos de Tobias pai, por intermédio do Arcanjo São Rafael.O Arcanjo São Rafael, um dos sete Arcanjos que assistem diante do Senhor diz claro e bom som: “É boa a oração acompanhada do jejum e DAR ESMOLA vale mais do que juntar tesouros; porque a ESMOLA livra da morte e APAGA OS PECADOS e faz ENCONTRAR A MISERICÓRDIA E A VIDA ETERNA” (Cf.Tob XII, 8-9). Jesus determina: “DÁ A TODO O QUE TE PEDE e ao que leva o que é teu, não lho tornes a pedir” (Cf. Lc VI,30). O Arcanjo São Rafael, é o Primeiro Ministro de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. Jesus, não necessita apresentação.
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