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Livro Oriente << ARTIGO XI >> Carlos Mariano
“Escrevei tudo o que convosco sucedeu -
Scribite
omnia haec, quae contingerunt vobis” (Tob
XII,20)
Rafael, para lembrar àqueles que esqueceram, significa “Medicina de Deus”. No entretanto, no livro de Tobias, as atividades do Arcanjo não se restringem aos dotes médicos e farmacêuticos, estendendo-se a guia de viajantes e excursionistas, manifestando-se patrono dos sacerdotes, dos estudantes, dos operários, comerciantes, industriais, criadores, lavradores e revelador dos meios a se empregar para receber as bênçãos de Deus. Além do mais, revela-se o nosso São Rafael, mediador entre Deus e os homens. Sem o menor resquício de sombra à Nossa Senhora, Mediadora por excelência.
Apesar dos rudimentos da nossa inteligência e de nenhuma propagação dos quem de direito, o Arcanjo continua firme, no seu posto de Primeiro Ministro do reino abençoado, da venerável negra: Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil. Se o leitor ignora, esse ministério de São Rafael, não seja isso motivo de vexação, pois, vergonha consiste em saber e deixar de propagar. Isto não tem vindo a público, porque as “diretrizes” estão excessivamente preocupadas com o social e pecaminosamente contra ao determinado por Jesus: “Buscai primeiro o reino dos céus e tudo o mais vos será dado por acréscimo”. Nós, por doutrinação escusa, estamos procedendo justamente ao contrário: Buscamos primeiro o “tudo o mais”, esperançosos que o Reino dos céus, nos seja dado por acréscimo. Ah, direis, e a fome? Se a fome existe, com os nossos celeiros abarrotados, a culpa é dos nossos políticos deformados, que as “diretrizes” desaprenderam formar. Dom João Bosco não cansou de repetir: “Bom cristão, é bom cidadão”, ou vice-versa. A frase é divina, leia como quiser, de frente para trás, de trás para frente, é sempre exata.
Dos sete arcanjos citados por Rafael, no livro de Tobias, conhecemos nominalmente três: Miguel, Gabriel e o protagonista deste artigo, Rafael. Miguel, que significa “Quem como Deus”, é mencionado no livro de Daniel e na Epístola de São Judas. Gabriel, cujo significado é “Mensageiro de Deus”, também referido no livro de Daniel, é o Arcanjo no Evangelho segundo São Lucas, que anuncia à Nossa Senhora sua concepção pelo Divino Espírito Santo. Sobre a existência dos sete Arcanjos, que estão continuamente na presença do Senhor, São João, Apóstolo e Evangelista, confirma no seu Apocalipse. Assim, os Arcanjos longe de invenção, encontram-se catalogados na revelação.
Evidentemente, que Deus não nos programou à maneira de andróides. Nosso Senhor, no Gênesis, nos deu o livre arbítrio: “Não comas da árvore do Bem e do Mal, pois, no dia em que comeres dela morrerás, indubitavelmente”. Comer ou não comer, eis a questão. Crer na existência dos Arcanjos, eis a sugestão. Mesmo porque, fé é acreditarmos naquilo que não vemos e, nos diz Santo Agostinho, a recompensa da fé é vermos aquilo em que acreditamos. Aceitar com o coração simples os mistérios da nossa fé, prova vivência e, maturidade. Olhai bem: Coração simples, posto que, para o simplório, pesa aquela advertência de São Paulo: “Não sejais meninos flutuantes, que se deixam levar por qualquer vento de doutrina”.
A festa dos três Arcanjos, Miguel, Gabriel e Rafael, celebra-se a vinte e nove de setembro. Porém, cada um dos três, tem dia de festa e missa própria. Miguel, dia 08 de maio; Gabriel, 24 de março e Rafael dia 24 de outubro.
Nestes dias conturbados, em que cada pároco prega o que lhe dá na telha, desestruturado, perdido entre movimentos antagônicos, de esquerda, de direita, de nem a favor nem contra, muito pelo contrário; de bate pé, bate palma, levanta o braço e bate bumbo; num embate de Comunidades de Base e Renovação Carismática, esta modelo americano, aquelas modelo cubano, não havendo fiel romano que agüente, é mais do que hora de invocarmos o Anjo protetor desta Nação, o Arcanjo São Rafael, para que interceda junto à veneranda Negra, Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil, nisso, que nada mais é que um pandemônio. Esqueceram o “a César o que é de César”, esqueceram São Paulo: “Quem se alista na milícia de Deus, não se EMBARAÇA com os negócios do século”. Embaraça, na realidade brasileira é eufemismo, pois se deixaram envolver num cipoal, que sem a intervenção Divina, não tem jeito que dê jeito. Nossa Senhora diz: “Rezem, rezem, rezem!”. Eles: “Ajam, ajam, ajam!”. Agir sem rezar é o mesmo que comer sem mastigar: Dá indigestão. Mas, bota indigestão nisso!
Bem a propósito, enfeixei estes artigos e os intitulei “Oriente”, para que esses transviados redescubram Sua Santidade o Papa, representante legítimo do único Oriente, nosso Mestre e Senhor, Jesus Cristo. Alinhados às determinações de Sua Santidade, deixarão de claudicar e haverão de absorver as palavras de Samuel a Saul:“A obediência vale mais que as vítimas; porque o desobedecer é como um pecado de magia e o não querer submeter-se é como um crime de idolatria”. Para os progressistas, com a queda do muro de Berlim, retrógrados, Sua Santidade é conservador, para os conservadores de Marcel Lefreve, Sua Santidade é progressista. Não passa pela cabeça dessa gente, que Sua Santidade é preservador da sã doutrina, com amplos poderes de “atar e desatar”, ou seja, modificar ou não, o que achar por bem. É preciso pedir a São Rafael, que interceda junto a Nossa Senhora, para tirar o Brasil da contra-mão da história, pois aqui, as coisas só funcionam sob pressão e no Congresso, a proposta que tiver maior “lobby”. A inquisição no clero brasileiro, não funciona na base da fogueira, pois os padres e religiosos, que não entrarem na deles, são postos na geladeira. Ser gelado numa corporação, é coisa terrível, mas não escandaliza, não se vê, é um martírio subjetivo. Os mesmos que excluem, são os que roubam e gritam pega ladrão. São uns caraduras, pois, não é imaginável, que pensem que essas falcatruas nos passem desapercebidas. A igreja no Brasil, está confundindo, púlpito com palanque, altar com palco, assembléia com platéia e religiosidade com teatralidade. Quem não aprecia a oratória de um bom político no palanque, as irreverências de um palhaço no picadeiro e uma agradável peça no teatro? Convenhamos, cada coisa no seu devido lugar. Certos padres, tendo perdido a divisória do sacro, religioso, profano, não se estão dando conta do esquisito sarapatel advindo, resultado desse contra-senso gritante. Julgam-se moderninhos, por se apresentarem extrovertidos e terem jogado o senso do ridículo às traças. Impotentes de sacralizar o mundo, mundanizam o sacro. Esses espertinhos, agem em consonância com o gracioso rifão: “Não podes com ele, associa-te a ele”. A verdade, não é pedante nem arrogante, é dura! E se não for pedir demais, que os atingidos meditem sobre isto.
Quando o velho Tobias e Sara, separados geograficamente, choravam cada qual a sua desdita, o Arcanjo Rafael foi enviado por Deus para devolver a visão a Tobias, dar marido a Sara e restituir-lhes a felicidade perdida. Nestes tempos, presenciando os incongruentes entrechoques na Igreja sob sua tutela, particularmente no Brasil, onde vicejam dois movimentos antagônicos, quantas lágrimas não terá derramado Sua Santidade? Ficarão sem resposta essas lágrimas? E Jesus presente entre nós, onde dois ou mais estiverem reunidos em seu nome, particularmente na Santíssima Eucaristia, estará, porventura, dando de ombros? E é justamente o silêncio de Jesus no Sacrário, que nos deveria aterrorizar. Esse silêncio, mal comparando, faz-me lembrar um artigo de David Nasser na revista “O Cruzeiro”, intitulado “O grande mudo”. Nasser se referia à bagunça generalizada no Brasil e a mudez das forças armadas, isto pelos idos de 1964. Quando o Exército “falou”, foi só pena que voou!
Nossa Senhora, em uma de suas aparições, pediu à vidente que rezasse e convidasse o mundo cristão a rezar, visto que se estava tornando difícil segurar a mão justiceira de Seu Filho. Setores acadêmicos da Igreja no Brasil, estão levando na flauta pois, antecedendo o social ao espiritual, zombam da protelação Divina, em manifesto desacato ao ditame profético: “Nolite errare, Deus nom irridetur – Não vos enganeis, de Deus não se zomba”. Esses inconseqüentes, na ânsia de manterem os espaços das igrejas repletos, adaptam a liturgia às volubilidades da moda, ingenuamente convencidos, que assim agindo, fogem à pecha de “quadrados”, ultrapassados. Sentem pavor de serem considerados “caretas”. Não tiraram nenhum proveito com a ala progressista da Igreja, que com a queda do muro de Berlim, do dia para a noite, viu-se transmudada em retrógrada. Para esses “espíritos fortes”, tanto as advertências de Nossa Senhora em Fátima, quanto a maneira de dar esmolas ensinadas por Tobias, são pieguices alienatórias. Rezar o Santo Terço: “Tás brincando!”. Jesus nos diz: “Dá a todo aquele que te pede”. Eles, parodiando um Ministro da Fazenda, acham que: “Esmola não se dá, administra-se”. Fechando este tópico, volto para a preocupação infundada, diga-se de passagem, dos espaços vazios das igrejas, estribando-me na atitude do Divino Mestre. Ora, quando Jesus disse que sua carne era verdadeira comida e seu sangue verdadeira bebida, houve uma debandada. Divinamente sereno, Jesus pergunta aos Doze: “E vós, não quereis ir também?”. A Verdade não ilude, nem se baseia na ilusão, tampouco depende da multidão de prosélitos, para sustentar-se. Embuça-se a mentira, a Verdade nunca: “Ela é nua e crua!”. Por isso, se a igreja do Edir Macedo está regurgitando, não seja isso motivo de apoquentação, pois a Igreja de Cristo não está esvaziando, está depurando-se. Se afirmo isto para meu consolo, ou para consolação dos fiéis católicos, estou fundamentado num sofisma, sou mais pernicioso que o Edir e duas vezes mais farsante do que ele. Por conseqüência, acho que, bater palma, levantar braço e bater bumbo é arremedo e aquele que arremeda é macaco. Ora, se somos macacos, quem está certo é Charles Darwin, não a Bíblia e Jesus Cristo que é a Verdade, faltou com a verdade. O absurdo por si, não carece explanação.
“Escrevei tudo o que convosco sucedeu”, esta determinação do Arcanjo São Rafael no espaço e tempo de Tobias, é eterna e por conseguinte, abrange o nosso espaço e o nosso tempo. O Arcanjo é o anjo intercessor desta Nação e não nos tem faltado. Pois, quem viveu setenta anos, testemunhou o florescimento e fenecimento de inúmeras ideologias, quer de direita, quer de esquerda, das quais se destacaram: Integralismo, Fascismo, Nazismo e Comunismo. Deste monstruoso quarteto, o comunismo levou a palma. Cumpriu, fiel, sistemática e requintadamente, às predições de Nossa Senhora de Fátima, em maio de 1917: “Espalhará os seus erros pelo mundo”. O Integralismo, até que seria aceitável, como reação ao comunismo, não fora pecar pelo totalitarismo, lavagem cerebral e consequente massificação. Tendo em vista que, o homem é um ser racional não pode agir, instintivamente, tal qual as ovelhas, quando uma pula, sem atinarem o porquê, todas pulam. Malgrado, é comum ter-se por resposta a um mal proceder: “Eu fiz, porque Fulano fez” ou ainda: “Eu fiz, porque todo mundo faz”. Isto é ser massa e não fermento Evangélico. Em linguagem mais clara, o padre foi devidamente preparado, ou deveria ter sido, para conduzir o rebanho e não para ser conduzido por ideologias estranhas a sua formação, extraviando o rebanho. “Escrevei tudo o que convosco sucedeu” e, dentro das minhas limitações, foi o que fiz, ou melhor, o que estou pretendendo fazer, com esta série de artigos, cujo objetivo é o Papa.
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