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Livro Oriente << ARTIGO XIV >> Carlos Mariano
“Tende confiança, eu venci o mundo - Sed confidite, ego vici mundum” (Jo XVI, 33)
Nenhum outro que passou por este planeta, ousou perguntar de público: “Quem de vós me argüirá de pecado?”. Após a desobediência de Adão, todos pecamos por pensamento, palavra, obra, ou omissão. Categoricamente, o discípulo amado, João Evangelista, chama de mentiroso o que diz que não tem pecado. Porém, o Salvador veio ao mundo, fez a pergunta e não houve quem o acusasse, pelo contrário, o mesmo São João confessa: “O sangue de Jesus Cristo, nos purifica de todo o pecado”. Motivo pelo qual, só ao Divino Inocente cabe o privilégio de argüição. Essa singular imunidade, por si, justificaria a expressão: “Eu venci o mundo”.
Contudo, de muitas outras formas Jesus venceu o mundo. A principal, dentre todas, foi ter vencido a Morte, cuja ressurreição nos trouxe a beatitude, a felicidade eterna. Além do que, demonstrou ter vencido as leis que regem a Natureza: Não afundou, ao andar sobre as águas; ultrapassou paredes sólidas; elevou-se, vencendo a gravitação, lei descoberta pelo físico e astrônomo Isaac Newton, mil e tantos anos depois, em 1666 para ser exato. Restaurou Lázaro, cujo corpo e vísceras se encontravam em adiantada decomposição: “Senhor, ele já cheira mal”, advertira Marta, irmã do sepultado, que falecera quatro dias atrás. Jesus retruca: “Não te disse eu, se tu creres, verás a glória de Deus?” Retirada a pedra do sepulcro, tendo rendido graças ao Pai, ordena: “Lázaro, vem para fora!” Ressuscitado um corpo em estado de putrefação, narrar a restauração dos olhos de um cego de nascença seria pormenor, minudência. “Hipócritas, quem fez o exterior não fez o interior?” Ora, Adão não foi simplesmente esculpido, foi formado, constituído: Ossos, nervos, artérias, veias, entranhas, carne, pele e sopro vital na Sua imagem, que Deus formou do húmus. Isto não é um devaneio poético, é história, dedução da assertiva de Jesus e do vaticínio simbólico da casa de Israel, descrita no capítulo trinta e sete do livro do profeta Ezequiel. Por conseqüência, Jesus se demonstrou vencedor em todos os sentidos. De vitória em vitória, no campo intelectivo a todos venceu, ao lançar a pergunta decisiva: “Se pois Davi o chama Senhor, como é Ele seu filho?” Silenciados os intelectuais e doutores da lei, São Mateus encerra o capítulo vinte e dois do seu Evangelho arrematando: “Daquele dia em diante, não houve mais quem ousasse interrogá-lo”.
Estamos às vésperas do terceiro milênio, já se processa transplante de órgãos vivos, propriamente acondicionados, seguida à morte cerebral ou clínica, pois, exalado o último suspiro, órgãos necrosados, velório e sepultamento. Os avanços tecnológicos, nos mais variados setores, são alucinantes, inegavelmente embasbacantes. O inglês Ian Wilmut, por exemplo, clonou a ovelha “Dolly”, a partir de uma célula de um animal adulto. Quantas sacrificou para chegar a esse sucesso, ele silencia. Todavia, nos dá uma pista: “Para clonagem de um porco, será preciso usar mais de mil animais nas experiências”. Com relação à clonagem humana, pergunta: “Seria eticamente razoável destruir um número tão grande de embriões, para obter um clone humano?” E o próprio Wilmut, responde: “Obviamente não”. Na seqüência desses avanços, ainda exemplificando, encontra-se a pílula do vigor sexual do laboratório Pfitzer, a famosa Viagra, cuja descoberta ocasional deve-se a outro inglês, Simon Fraser Campbell. Em ambos os casos, a ciência atual está engatinhando, ficando a dever ao relatado no Gênesis. No primeiro caso, porque de uma célula de Adão, mais propriamente de uma costela, Eva foi constituída na sua integridade. No segundo, jamais, os patriarcas que viveram centenas de anos, apresentaram esgotamento ou se demonstraram estressados, pois, geraram filhos e filhas, com mais de quinhentos anos, cada um deles. Entretanto, após Noé, determinado o limite de idade para as gerações futuras, girando em torno dos 120 anos, a virilidade física patriarcal decaiu. Dessa debilidade relativa, ressalta a intervenção Divina, no casal Abraão e Sara que em idade avançada haveria de gerar Isaac, contra toda a esperança de Sara, que se riu da promessa de Deus, dizendo consigo: “Depois que sou velha e meu senhor avançado em anos, entregar-me-ei ao deleite?” Quanto a Sara, a Bíblia não explicita outras relações amorosas, além da qual concebeu Isaac. O mesmo não se deu com Abraão, pois, falecida Sara aos 127 anos, pranteada e guardado o luto normal, voltou a casar, com uma mulher chamada Cetura, que lhe deu à luz seis filhos. Abraão morreu aos cento e setenta e cinco anos: “numa ditosa velhice”, sem recorrer a “próteses” e “viagras”, mas com o ducto sangüíneo restabelecido. Isto não é produto de imaginação fértil, tampouco raciocínio engenhoso, é dedução lógica; salvo não se saiba somar, dois e dois.
Quando nos sentamos frente à televisão, com antena direcionada para o satélite respectivo, temos os acontecimentos do outro lado do mundo, instantaneamente, em nossos lares. Nos inteiramos do acontecido, ou do que está acontecendo e nos capacitamos para os efeitos do noticiado que, face à mobilidade humana, está sujeito a reformulações e aí os efeitos são outros que os esperados, de vez que: “O homem propõe, mas Deus dispõe”. Jesus está e há dois mil anos estava muito além: “Pai, se possível afasta de mim este cálice”. Jesus viu, com clareza meridiana, nos mínimos detalhes, tudo o que lhe estava para acontecer. Pedro também viu, pois Jesus reclama dele: “Visto isto, não pudeste vigiar uma hora comigo?” Jesus, diante das barbaridades que lhe estavam por acontecer, não suou frio, suou sangue. A “carne fraca” sussurrou-lhe aos ouvidos: “Pernas, para que vos quero, eu não sou de ferro”. Mas o Espírito, o Verbo, falou mais alto: “Meu Pai, se este cálice não pode passar sem que eu o beba, faça-se a Tua vontade”. Pois: “A carne para nada aproveita, é o Espírito que vivifica”. Jesus, não veio para driblar a vontade do Pai, nem para correr, mas para vencer: “Eu venci o mundo”. A ciência genética, nos dias atuais, com uma margem de acerto entre noventa e noventa e três por cento, ao preço de dois mil e quinhentos dólares, põe a disposição do casal a escolha do futuro sexo do bebê. Tanto o preço de dois mil e quinhentos dólares e a margem de erro entre sete e dez por cento, tendem a cair. Nesse dia, a preço mais baixo e taxa de erro menor, estarão mais próximos de Deus, que anunciou gratuitamente e sem margem de erro a Sara, que lhe nasceria um filho, Isaac; a Manoá, cuja mulher estéril, lhe gerou Sansão; a Zacarias, que Isabel na sua velhice, lhe deu João Batista e finalmente Maria, a quem o Arcanjo Gabriel anunciou Jesus. Tudo se sucedeu, sem a mínima margem de erro e gratuitamente, porquanto: “Eu venci o mundo”.
“Quando o homem tiver terminado, então estará no começo”, nos informa a Bíblia. No entender de alguns cientistas, noventa e nove por cento de suas descobertas se dão por “acaso”, jamais pelo favorecimento ou beneplácito Divino. A soberba, é causa primeira de nossa cegueira mental. A soberba nos impede de aceitar o Deus Menino, que de Rico “Pobrezinho nasceu em Belém”. A história de Adão e Eva é simples demais, não satisfaz a nossa soberba intelectiva. A soberba naturalista não assimila São João, quando desvenda que: “O Verbo é a luz verdadeira, que ilumina todo homem que vem a este mundo”. Isto quer dizer que não somos luminosos, é o Verbo que nos ilumina. Nestes retalhos bíblicos, o Gênesis, por sua vez, registra que “a Serpente era o mais astuto de todos os animais” e por conseqüência do seu ludíbrio, figurativamente, passou a comer pó todos os dias de sua vida. Da sobrepujante astúcia concedida à serpente, é dedutivo e comprovado, que todos os animais possuem um grau de inteligência limitado, que se convencionou “instinto”. Ao homem, iluminado pelo Verbo, não lhe foi dado inteligência por medida, posto que se não divisa bloqueio que impeça a inteligência de se expandir sempre e cada vez mais. A liberalidade é tamanha e a liberdade tão imensa, que o livre arbítrio concomitante, conduz o homem imaginar-se auto-suficiente e negar a Fonte inexaurível da Sabedoria Eterna.
Jesus nos revelou que: “Naqueles dias, as potestades do céu serão abaladas”. Adentramos o espaço sideral, com uma brutalidade própria dos antigos bárbaros da Tartária, não nos dando conta do cataclisma que há de vir. Para se ter uma pálida, porém, sensível idéia, dos efeitos nocivos dessa intromissão espacial, basta lembrar a propalada claridade de sete luas, que o cometa Halley nos haveria de brindar na sua volta, que se verificou em 1986. O que se viu através de binóculos e lunetas, não passou de uma acanhadinha, quase imperceptível, luminosidade no fundo do céu. O que aconteceu com o Halley, após as sondas russa, americana e japonesa terem sido enviadas, a mídia silenciou. Contados setenta e seis anos, partindo de 1986, a geração do futuro, saberá. Praza aos céus, que em nome da tecnologia, não tenham tirado o Halley de órbita.
Alertar dos riscos que se corre, já fizeram os profetas, mormente Isaías, o Salvador, o Papa João Paulo II, o movimento Paz Verde, esse reconhecido e nem sempre pacífico “Greenpeace”. Daí, se a humanidade vier a cair num “buraco negro”, não terá sido por falta de alerta. Desde a mais remota antiguidade aos dias atuais, temos sido alertados à exaustão. Dado ao encurtamento das longitudes, quer pelo telégrafo, quer pela discagem à distância, fax e mais propriamente pela internet, sem ignorar a televisão, rádios, jornais, revistas e magazines que perfazem, numa palavra, a mídia, não existe país, neste mundo cada vez menor, que não haja ouvido falar em, ou quando não, de Cristo. Se o mundo inteiro não é cristão, deve-se ao exercício fingido dos cristãos nominais, ou seja, proclamam-se, mas não o são de fato. Acham “bobeira”, ser pecado mortal, perder Missa aos domingos e dias santificados. Pior, tem padre que também acha. Então, para o Brasil não perder a fama de país mais católico do mundo, arremedam os pentecostais, batem pé, levantam braços, batem palmas, batem bumbo. Isto dá um Ibope! Excitação mil; devoção zero. A pergunta é a seguinte: Estão servindo Cristo, ou valendo-se de um falso pentecostalismo para se projetarem?
“TENDE CONFIANÇA, EU VENCI O MUNDO”.
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