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Livro Oriente << ARTIGO INICIAL >> Carlos Mariano
“Tu es Petrus et super hanc petram aedificabo ecclesian meam” (*)
Num dia que a História da humanidade não registrou, mas, indelevelmente anotado no “livro da vida”, vinha um certo Simão, caminhando à beira mar.
Ao seu encontro dirigia-se André, seu irmão, com a nova de ter encontrado o Messias. De vez que, no dia anterior, tanto ele, quanto João, haviam escutado do Batista: “Eis o cordeiro de Deus, eis o que tira o pecado do mundo”.
Foi um encontro rápido, o de André e Simão. Não menos rápida a resolução de acompanhá-lo, até Jesus. Este, fixando os olhos nele, disse-lhe: “Tu és Simão, filho de Jonas; tu serás chamado Cefas” – que quer dizer Pedro. Desde o primeiro instante, é criado um cerimonial preparatório, para a futura edificação da Sua Igreja. Notem: edificação. Não fundação. A pedra angular, o fundamento, é Jesus. E Jesus é eterno; eterna a sua Igreja. Simão a pedra em Roma; Jesus a pedra da Jerusalém celeste. A este respeito Ele é de uma clareza meridiana, ao afirmar: “Antes que Abraão fosse, Eu Sou!” Jesus não veio fundar uma religião; ele veio em cumprimento das Escrituras: “Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas; não os vim destruir, mas sim para os cumprir” (Cf. Mt V, 17). Ele veio para que todos tivéssemos vida e vida em abundância. Ele veio para nos libertar do pecado, causa de todas as misérias da Terra. Desceu a nós, para nos elevar a Ele. Não veio para se mundanizar, veio para santificar o mundo. Noutras palavras: não veio para se humanizar e sim para divinizar a humanidade. Ele é Deus. Isso só um Deus pode. Com referência ao termo cristianismo, foi em Antioquia, que os discípulos pela primeira vez foram chamados de cristãos. Jesus já havia ascendido aos céus, há alguns pares de anos. Ele veio para o que era Seu e os seus não O receberam. E porque a nação dos judeus não O recebeu, não ficou limitado a um regionalismo, universalizou-Se, por desejo presciente do eterno Pai. No dia em que for descerrado esse véu, a que São Paulo faz referência, os judeus converter-se-ão ao catolicismo não por deprimência, mas por terem compreendido que em tudo foram instrumentos de Deus e entenderão a palavra de Jesus à samaritana: “Dos judeus é que vem a salvação”. O povo de Israel está reservado para assumir o máximo da glória, no devido momento e na hora exata. Quando será? Só Deus sabe.
Ao raiar do terceiro milênio, em que Jesus se revelou, reparem bem, se revelou ao mundo, devemos, vez por todas, deixarmos de ser; “meninos flutuantes e levados ao sabor de todo vento de doutrina, pela malignidade dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro”. Estas palavras de São Paulo, estão em perfeita harmonia com o decreto de Jesus: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. Destaquemos da frase, dois termos, um verbo e um substantivo. O verbo edificar, encontra-se no futuro e a Igreja no singular. Uma Igreja a ser edificada. Não fundada. O fundamento da Igreja é Jesus e Jesus é eterno; por conseqüência, eterna a sua Igreja. Deus veio ao mundo em cumprimento das Escrituras. É o que São João nos afirma: “Veio para o que era Seu e os seus não O receberam”.
Jesus, tendo o passado e o futuro, presentes em Sí: "Eu sou!", não padeceria de contradição se tivesse empregado o verbo no presente “edifico” para, posteriormente à ressurreição, edificá-la. Noutro momento, noutro local é que se daria a edificação de Sua Igreja. Vislumbra-se, não ter sido por mero acaso, que a Santa Cruz foi plantada, consoante se verificou, de frente para a cidade de Roma, a capital do mundo de outrora. Na Economia Divina, nada se desperdiça, nada acontece por acaso. Tudo tem seu tempo, a sua hora; tudo obedece a uma cronologia perfeita: “Antes passarão o céu e a terra, que passe da lei um só jota ou um só ápice, sem que tudo seja cumprido”. Jesus, jamais proferiu uma palavra ociosa, pelo contrário, Ele vai pedir contas de toda palavra ociosa que nós proferimos. Pedirá contas da nossa preguiça, de meditarmos a Sua palavra. Prega-se pouco, medita-se menos.
A Igreja de Jesus é Una, Santa, Católica, Apostólica, Romana. Não aceitar, é destoar da oração de Jesus: “Que todos sejam um, como Eu e Tu Pai, somos um”. Não estou preocupado com as outras religiões, seitas ou crenças, de vez que o problema da salvação transcende, abrange o Universo. O que preocupa é a exploração pela “mídia” de propalar um catolicismo tripartido em: Conservador, moderado e progressista. Se uma casa dividida entre si, não pode subsistir, que será de uma tripartida? A Igreja de Jesus não é um tripé, a degladiar-se ou a suportar-se social e claudicantemente. Se atingimos este cúmulo, é porque estamos faltando com a devida obediência a Pedro. A obediência, no dizer do profeta Samuel, vale mais que os sacrifícios e holocaustos; o desobedecer é como um pecado de magia e o não querer submeter-se é como um crime de idolatria. “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. Lá em Roma está a pedra, o oriente dos católicos e de todo homem de boa vontade que, desorientado, procura com ânsia orientar-se.
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