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Oriente.com - Notícias do Papa
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Homilia
do Papa na Missa de encerramento do Encontro Mundial das Famílias
em Valença: "Transmitir a fé na família"
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09/07/2006 - Fonte:
site da Rádio Vaticano
RÁDIO VATICANO .- 09
JUL 2006.-
“A família, assente no matrimónio indissolúvel entre um homem e uma
mulher, exprime a dimensão relacional, filial e comunitária (do ser
humano), (constituindo) o âmbito onde o homem pode nascer com
dignidade, crescer e desenvolver-se de um modo integral”. “Os pais têm
o direito e o dever de transmitir aos filhos o património de experiência
que eles próprios receberam”, iniciando-os também no encontro com
Deus”. Recordou-o com vigor o Papa Bento XVI, na homilia da Missa
conclusiva do Encontro Mundial das Famílias, neste domingo de manhã,
em Valência, com a participação de um número incontável de fiéis.
O pontífice começou por sublinhar que a família se apresenta “como
uma comunidade de gerações e garante de um património de tradições”.
E isso porque “nenhum homem dá a si mesmo o ser nem adquiriu por si só
os conhecimentos elementares da vida. Todos recebemos de outros a vida e
as verdades básicas”. Todos “estamos chamados a alcançar a perfeição
em relação e em comunhão amorosa com os outros”. “Quando um filho
nasce, através da relação com os seus pais ele começa a fazer parte
de uma tradição familiar, que tem raízes ainda mais antigas.” “Os
pais têm o direito e o dever inalienável de transmitir aos filhos
(esse patrimônio familiar): educá-los na descoberta da sua identidade,
iniciá-los na vida social, no exercício responsável da sua liberdade
moral e da sua capacidade de amar através da experiência de ser amados
e, sobretudo, no encontro com Deus”.
“Na origem de todo o homem e mulher, e portanto em toda a paternidade
e maternidade humana está presente Deus Criador. Por isso os esposos
devem acolher à criança que lhes nasce como filho que não é apenas
seu, mas também de Deus que o ama por si mesmo e o chama à filiação
divina. Mais ainda: toda a geração, toda a paternidade e maternidade,
toda a família tem o seu princípio em Deus, que é Pai, Filho e Espírito
Santo”.
Bento XVI insistiu no fato de que o que está “na origem de todo o ser
humano não o acaso ou a casualidade, mas sim um projeto do amor de
Deus”, como nos foi revelado por Jesus Cristo, verdadeiro Filho de
Deus e homem perfeito”, que “conhecia de quem vinha e de quem vimos
todos nós: do amor do seu Pai e do nosso Pai”..
“A fé não é, portanto, mera herança cultural, mas sim uma ação
contínua da graça de Deus que chama e dá liberdade humana que pode
aderir ou não a essa chamada. Embora ninguém possa responder por
outrem, em todo o caso os pais cristãos estão chamados a dar um
testemunho credível da sua fé e esperança cristã”.
Com o passar dos anos, este dom de Deus… precisará de ser cultivado
com sabedoria e doçura, fazendo crescer nos filhos a capacidade de
discernimento, levando-os a fazerem seu o dom da fé, descobrindo
juntamente com a comunidade cristã o sentido profundo da existência”.
Como já recordara na vigília de sábado à noite, também nesta
homilia da Missa conclusiva do encontro das Famílias, o Papa referiu a
importância de educar a liberdade e para a liberdade”, advertindo porém
sobre os desvios em relação à verdadeira liberdade cristã: “Na
cultura actual, muitas vezes exalta-se a liberdade do indivíduo
concebido como sujeito autônomo, como ele se se fizesse a si próprio,
independentemente da sua relação com os outros e alheio à sua
responsabilidade para com eles.”
“Pretende-se organizar a vida social só a partir de desejos
subjetivos e mutáveis, sem qualquer referência a uma verdade objectiva
prévia como são a dignidade de cada ser humano com seus deveres e
direitos inalienáveis, ao serviço do qual se deve colocar todo o grupo
social.
“A Igreja não cessa de recordar que a verdadeira liberdade do ser
humano provém do fato de ter sido criado à imagem e semelhança de
Deus. A educação cristã é, portanto, educação da liberdade e para
a liberdade. Nós fazemos o bem não como escravos, que não são livres
de agir de outro modo, mas sim porque somos pessoalmente responsáveis
em relação ao mundo; porque amamos a verdade e o bem, porque amamos o
próprio Deus e, portanto, também as suas criaturas. É esta a
verdadeira liberdade, à qual nos quer conduzir o Espírito Santo”.
O Papa convidou os fiéis cristãos, antes de mais os esposos, filhos e
pais, a porem os olhos em “Jesus Cristo o homem perfeito, exemplo de
liberdade filial”. E sublinhou que reconhecer e ajudar a instituição
(matrimonial) “é um dos maiores serviços que se podem prestar hoje
em dia ao bem comum e ao verdadeiro desenvolvimento dos homens e das
sociedades, assim como a melhor garantia para assegurar a dignidade, a
igualdade e a verdadeira liberdade da pessoa humana”.
Quase a concluir a sua homilia, Bento XVI evocou a figura de Maria,
“imagem exemplar de todas as mães, da sua grande missão como guardiães
da vida, da sua missão de ensinar a arte de viver, a arte de amar”.
O próximo encontro mundial das famílias será no México. A noticia
foi dada pelo próprio Bento XVI no final da celebração da Missa em
Valência, saudando em várias línguas.
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