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Fonte produtora (espanhol): VIS - Vatican Information Service. (+ Saber mais sobre VIS) Fonte tradutora (para o português): Página Oriente.com
17/01/2008 - CIDADE DO VATICANO, 17 JAN 2008 (VIS).- O cardeal Tarcísio Bertone, secretário de Estado, enviou ontem uma carta ao reitor da Universidade "La Sapienza" de Roma na que explica os motivos pelos que o Papa não participou hoje na inauguração do ano acadêmico do ateneu. O purpurado afirma que "ao faltar os pressupostos para uma acolhida digna e tranqüila do Papa, devido às ações de um grupo minoritário de professores e alunos, se julgou oportuno adiar a visita para não dar motivos a manifestações, que foram reveladas desgostosas para todos". Sem embargo, escreve, dado que a maioria de professores e estudantes desejava escutar "uma palavra culturalmente significativa da que tirar indicações estimulantes para o caminho da busca da verdade, o Santo Padre quis que se lhe envie o texto que havia preparado para a ocasião". No discurso, que se leu ao final do ato acadêmico desta manhã, Bento XVI escreve que em sua lição em Ratisbona, em setembro de 2006, por ocasião de sua viagem apostólica a Alemanha, falou "como Papa, porém sobretudo, como ex-professor de minha universidade. (...) Sem embargo, na Universidade "La Sapienza", a antiga universidade de Roma, tem sido convidado precisamente como Bispo de Roma, e portanto, devo falar como tal". "É certo - continua - que "La Sapienza" era em seus tempos a universidade do Papa, porém hoje é uma universidade leiga com aquela autonomia que, sobre a base de seu próprio conceito fundamental, sempre formou parte da natureza de universidade, que deve estar ligada exclusivamente à autoridade da verdade". Após salientar que "o Papa é sobretudo o Bispo de Roma e como tal, em virtude da sucessão ao Apóstolo Pedro, têm uma responsabilidade episcopal em relação com toda a Igreja Católica", afirma que "a comunidade que assiste - grande ou pequena - vive no mundo; suas condições, seu caminho, seu exemplo e sua palavra influem inevitavelmente em todo o resto da comunidade humana em seu conjunto". "O Papa fala como representante de uma comunidade que custodia em si um tesouro de conhecimento e de experiências éticas, que resulta importante para toda a humanidade: neste sentido, fala como representante de uma razão ética". Bento XVI se pergunta na continuação: "Quê é a universidade? Qual sua tarefa?", e responde: A verdadeira, íntima origem da universidade é o desejo do conhecimento que é próprio do ser humano. Quer saber que é tudo o que lhe rodeia. Quer verdade". Porém a verdade - explica - não é só teórica. (...) Verdade é mais que saber: o conhecimento da verdade têm como fim o conhecimento do bem. (...) Qual é o bem que nos faz verdadeiros? A verdade nos faz bons, e a bondade é verdadeira: este é o otimismo que vive na fé cristã, porque a ela se concedeu a visão do Logos, de Razão criadora, que na Encarnação de Deus, se revelou como o Bem, como a própria Bondade". Neste contexto, o Santo Padre põe o exemplo das universidade medievais, onde conviviam as faculdades de Filosofia e Teologia que se ocupavam da busca "do ser humano em sua totalidade e da tarefa de manter a sensibilidade pela verdade". Bento XVI, citando a fórmula do Concílio de Calcedônia sobre a cristologia, afirma que "a filosofia e a teologia devem relacionar-se entre si "sem confusão e sem separação". "Sem confusão - explica o Papa - quer dizer que cada uma deve conservar sua identidade própria. A filosofia deve ser verdadeiramente uma busca da razão em sua própria liberdade e responsabilidade" e a teologia "deve continuar buscando no tesouro de conhecimentos que ela não inventou, (...) que ao não esgotar-se mediante a reflexão, põe sempre de novo em marcha o pensamento". "Sem separação" significa que "a filosofia não recomeça cada vez do ponto zero do sujeito pensante de forma isolada, mas que se insere no grande diálogo da sabedoria histórica", porém, "não deve tampouco fechar-se naquilo que as religiões e em particular a fé cristã tem recebido e dado à humanidade como indicação do caminho". "Efetivamente - observa Bento XVI -, muito do que afirmam a teologia e a fé pode fazer-se próprio somente dentro da fé e portanto não pode apresentar-se como uma exigência para aqueles aos que esta fé é inacessível", sem embargo "também é verdade que a mensagem da fé cristã (...) é uma força purificadora para a razão" e "um impulso até a verdade e uma força contra a pressão do poder e dos interesses". O Papa fala depois da época atual onde "se abriu novas dimensões do saber, que na universidade se valorizou sobretudo em dois âmbitos: (...) as ciências naturais (...) e as ciências históricas e as humanas", e constata com satisfação que ao mesmo tempo "têm aumentado o conhecimento e o reconhecimento dos direitos e da dignidade do ser humano". Apesar disso, "o perigo de cair na desumanização não cessou completamente", e em particular "o risco atual do mundo ocidental é que o ser humano, em virtude da grandeza de seu saber e seu poder se renda ante à questão da verdade. O que significa ao mesmo tempo que a razão, enfim, se dobra frente à pressão dos interesses e os atrativos da serventia, obrigada a reconhecê-la como critério último". "Existe o perigo de que a filosofia, não sentindo-se já capaz de sua verdadeira tarefa, se degrade em positivismo e de que a teologia, com sua mensagem dirigida à razão, se confirme na esfera privada de um grupo mais ou menos maior", observa o Pontífice. Ao final, Bento XVI se pergunta: "Quê têm que fazer ou que dizer o Papa na Universidade? E responde: "Certamente não deve tratar de impôr aos demais a fé de forma autoritária, que só pode dar-se na liberdade". "Mais além de seu ministério de Pastor da Igreja e segundo a natureza intrínseca deste ministério pastoral - conclui - sua missão é manter desperta a sensibilidade pela verdade; convidar sempre novamente à razão a pôr-se em busca do verdadeiro, do bem, de Deus, e neste caminho convidá-la a ver as luzes úteis que brotam ao longo da história da fé. * * * * * * * * * V.I.S. - Vatican Information Service
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