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O PROCESSO DE JESUS  -  Câmara dos Sacerdotes

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I PARTE (Processo Religioso)

* Foi preservado o português da época (1921).

    Da Camara dos Grandes Sacerdotes

que Tomaram Parte no Processo de Jesus

 

Caiphás - Presidente do Supremo Tribunal.

Annaz    -    Sogro de Caiphás. 

 

Eleazar  

Jonathas

Theophilo

Mathias

Ananus

Gceva

} filhos de Annaz

Joazar

Eleazar

Simão Kanthéro

} da família de Simão Boéthos
João e Alexandre }  que mais tarde fizeram parte do conselho que julgou Pedro e João   presos no dia de Pentecostes. 

 

Da Camara dos Anciãos
Ben Kalba Scheboua  e Ben Tistsit Hocassat   }   capitalistas

 

Simão    _   Doutor da Lei

Doras    _   da família do Gov. romano Feliz 

João

Dorotheo

Triphão

Cornelio e José D'Arimathéa - dos que nos falam os Evangelistas

 Da Camara dos Escribas

 

Gamaliel - filho de Hillel, mestre de Paulo, Barnabás e Estevão.  

Simeão    - Filho de Gamaliel. 

Onkelos  - autor da paraphrase do Pentateuco 

Jonathas benm Huziel - autor da paraphrase sobre a Lei e os Prophetas

Samuel o Pequeno

Kananias ben Khiskhias

Ismael ben Beliza

Rabbi Zadok

Jokhanan ben Zakhai

Habba Saul

Heleazar ben Partha

                                                     Ao todo 39 membros

                                          Contavam-se 36 crimes contra os quaes era comminada a pena de morte. Para 17 havia a pena de morte pela lapidação, para 10 pela fogueira, para 2 pela espada, para 6 pelo estrangulamento. 

                                           Segundo Chauvin, de cuja obra extrahimos os nomes conhecidos dos Juizes que tomaram parte no processo de Jesus, o Synhedrio, quando completo, constaria de 72 membros, divididos em Tres Camaras de vinte e trews membros cada uma (e neste caso teriamos o Sinhedrio completo com 69 membros). Capecelatro (Errori del Renan nella visita di Gesú, Cap. XIX) dá tambem o numero 72. O mesmo numero dá Cornelio a Lapide, deva attribuir-se a  um simples cochilo, e que o mesmo numero admittido por Chauvin e Capecelatro não seja conforme a verdade. De facto, o mesmo Cornelio a Lapide, no mesmissimo  Commentaria in Mattheum, Cap. XXVII, nota ao 1º. versiculo, dá o Synhedrio completo com 70 membros, e outro tanto faz em outros logares (Comm. in Num. C. XI, nota an vers. 16 -  Comm. in Deut.  Cap. XVII, nota ao vers. 9).

                                            De outra parte é sabido que Deus ordenou a Moysés de subir o Sinai com Aarão, Nadab e Abiu, filhos maiores de Aarão e mais setenta anciãos. Exod. XXIV, 1). Mais tarde Deus ordenou a Moysés de  escolher setenta homens  como seus auxiliares no governo do povo. (Num. XI, 16).  Estes setenta não são aquelles que acompanharam Moysés á subida do Sinai a que allude o Exodo, mas parte daquelles e parte de outros escolhidos posteriormente entre o povo. Estes ultimos (os dos Números) foram os  que formaram o Synhedrio em numero de setenta, numero que se conservou, em seguida, até aos tempos de Christo.  Parece, porém, que o  Presidente do Synhedrio não era dos 70, porque o officio dos 70 consistia em auxiliar o Supremo Pontifice. 

"Manserunt,  diz Cornelio a Lapide (Num. XI, nota ao vers. 16) hi septuaginta deinceps, et continuos habuere successores, etiam in Chanan, sed carentes spiritn prophetico. Nam solo consilio suo aderant Pontifici, qui summus Hebraeorum statuitur judex, erantque ejus consiliarii. Unde consilium horum (dos 70) cum Pontifice summum erat, et ab Hebraeis vocatum est Sanhedrim, graece Sunedrion.... Atque hi seniores fuerunt qui in magno illo suo Sunedrio, sive concilio, Christum mortis reum proclamarunt, et Pilato occidendum tradiderunt". 

                                           Sendo  assim o Synhedrio teria sido um Tribunal composto de 71 membros inclusive o Presidente, ou o Summo Pontifice.

                                           Esta opinião nos parece apreciavel. De facto si dos membros que compunham o magno Conselho, setenta careciam de espirito prophetico, e sabido como é que o dom da prophecia era privilegio exclusivo de quem se achava, revestido do Supremo Sacerdocio, e não sendo Summo Sacerdote nenhum dos setenta, é forçoso admittir alêm dos 70,  mais um,  que, occupando a Suprema Dignidade, fruisse desse dom divino. Este era o Summus Judex que, cercado pelos seus setenta auxiliares, formava o Supremo Tribunal ou Synhedrio.  

                                           Uma tal opinião é, aliás, corroborada por Felten (Historia dos tempos do Novo Testamento, Vol. II., Vers. ital. de L. E. Bongiovanni, Cap IX, pag. 27 e 28) e por J. Fouard (Vita di N. S. Gesu Christo,  2ª. Edic. Vers. ital. sobre a 18 franc. Vol. I. pag. 39 e Vol II, pag. 263).  Segundo os quaes o Synhedrio completo constava de 71 membros. Estes tomavam assento em forma semecircular.  A cada um dos dois extremos do semicirculo se assentava um secretario, encarregado, um, de tomar nota, durante o processo, de tudo que apparecia em favor do accusado, outro de tudo que depunha contra o mesmo. O accusado era cercado por guardas, ou officiaes subalternos munidos de cordas e tiras de couro, promptos, ao primeiro signal, a amarrar e a bater no réo. 

                                             Nas questões de direito civil ou cerimonial, a votação começada pelos mais notaveis anciãos; nas questões, porém, de direito criminal, onde se tratava de uma pena capital, a votação começava pelos mais moços, com receio de que estes se deixassem suggestionar pelos mais velhos. Nos crimes passíveis de pena de morte, tinham que tomar parte no Jurypelo menos 23 membros. Si pela votação resultasse a condemnação do réo por um só voto de maioria, então se acrescentavam mais dois membros, e não se alcançando, com isso, mais apreciavel maioria, continuava-se nesse processo até que o réo era absolvido ou condemnado por 36 votos contra 35.  

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