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Sumário:
1)
08/07/2006
- Papa chega à cidade de Valença, na Espanha
2)
09/07/2006
- Homilia para o Encerramento do Encontro
Mundial das Famílias: "Transmitir a fé na
família"
1) Papa chega à
Valença - Espanha
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08
JUL 2006.-
Bento XVI foi recebido neste sábado em Valença com grande
entusiasmo por milhares de Valencianos e peregrinos de todas as
partes do mundo, que ali se encontram para o encerramento do V
Encontro Mundial das Famílias. A cidade vestiu-se de branco e
amarelo para receber o Santo Padre que chegou por volta das
11h30 da manhã, hora local, no aeroporto Internacional de Valença
– Manises. O Santo Padre foi recebido no aeroporto pelo Rei de
Espanha, Juan Carlos de Borbón, pelas autoridades locais civis,
militares e religiosas. Depois do discurso do Rei e das
primeiras palavras em terras Valencianas, o Papa, modificando o
itinerário do seu programa, fez uma breve parada na estação
do metrô Jesus, local do terrível acidente ocorrido na última
segunda-feira, e que causou a morte de 42 pessoas e ferimentos
em outras 40. Um acidente que abalou a cidade de Valença e os
participantes do V Encontro Mundial das Famílias. O Santo Padre
quis que o seu primeiro ato fosse a oração pela vítimas do
acidente. O Papa também fez uma saudação aos parentes das vítimas
quando da sua visita à Basílica de Nossa Senhora dos
Desamparados. A Comissão de animação do V Encontro Mundial
das Famílias convocou todos os Valencianos e peregrinos
presentes na cidade para que fizessem parte da grande corrente
humana de 11 Km, que abraçou todo o percurso que fez Bento XVI,
desde a sua chegada ao aeroporto de Valença até á Catedral da
cidade, onde o Papa se encontrou com os sacerdotes, religiosos e
religiosas e irmãs de clausura, cerca de 1.500 pessoas. O Papa
esteve acompanhado pelo arcebispo de Valença, Dom Agustin
Garcia-Gasco. Bento VI foi recebido ao som do canto
“Benedictus” executado pelo coral da catedral. O Santo Padre
venerou o Santíssimo e visitou a capela do Santo Cálice, onde
estavam reunidos os bispos espanhóis, cerca de 100. Diz a tradição
que o Santo Cálice conservado na catedral de Valença é o
mesmo cálice que Jesus utilizou na última ceia para a instituição
do Sacramento da Eucaristia. O Papa assinou o livro de Honra,
que recorda a sua visita e a carta autografa endereçada a todos
os bispos espanhóis; carta que entregou ao Presidente da Conferência
Episcopal, Dom Ricardo Blasquez, bispo de Bilbao. Em seguida o
Papa deixou a catedral e se dirigindo-se para a capela de Nossa
Senhora dos Desamparado que se encontra a 50 metros de distância,
padroeira da cidade. Depois de alguns momentos de oração o
Papa saiu pela porta central da Basílica e na Praça da Virgem,
recitou a oração do Angelus.
Foi com palavras simples e afectuosas que Bento XVI exprimiu as
suas saudações, à chegada a Valença, incluindo desde logo
uma referência às vítimas do trágico acidente do metro Valençano,
segunda-feira passada, assegurando a sua participação na dor
de todas as famílias enlutadas. E recordou o motivo da sua
visita: participar no Encontro Mundial das Famílias, que tem
desta vez como tema “A transmissão da fé na família”.
“Desejo
propor o papel central que tem, para a Igreja e para a
sociedade, a família fundamentada no matrimônio. É uma
instituição insubstituível, segundo os planos de Deus, e cujo
valor fundamental a Igreja não pode deixar de anunciar e
promover, para que seja sempre vivido com sentido de
responsabilidade e alegria”.
O
Rei Juan Carlos, por seu lado, manifestou “honra e satisfação”
por receber Bento XVI na sua primeira visita a Espanha como
Papa. Lembrando os laços seculares que ligam o país e a Igreja
Católica, o Rei prestou homenagem particular às figuras de João
Paulo II e de S. Francisco Xavier, cujo 5º centenário se
assinala, “exemplo de firmes convicções”.
A deslocação do Papa à catedral de Valença, incluiu, como já
dissemos, uma visita à “Capela do Santo Cálice”, onde se
encontravam congregados os bispos espanhóis. Bento XVI assinou
ali a Carta que lhes quis dirigir, e que entregou simbolicamente
ao presidente da Conferência Episcopal.
Nessa mensagem o Papa assegura acompanhar “de perto, com muito
interesse, os acontecimentos da Igreja” em Espanha, de
profundas raízes cristãs e que tão grande aportação deu e
continua a dar ao testemunha da fé e à sua difusão em muitas
outras partes do mundo”. Bento XVI pediu aos prelados que
mantenham “vivo e vigoroso este espírito que acompanhou a
vida dos espanhóis na sua história, para que continue a
alimentar e dar vitalidade à alma do vosso povo”.
Na
sua carta ao episcopado espanhol, o papa referiu com apreço o
dinamismo impresso à acção pastoral, “num tempo de rápida
secularização, que por vezes afecta a própria vida interna
das comunidades cristãs”. “Continuai (exortou o Papa) a
proclamar sem desânimo que prescindir de Deus, actuar como se
Ele não existisse ou relegar a fé no âmbito meramente
privado, mina a verdade do homem e hipoteca o futuro da cultura
e da sociedade. Pelo contrário, dirigir o olhar ao Deus vivo,
penhor da nossa liberdade e da verdade, é uma premissa para
chegar a uma humanidade nova. De modo especial hoje em dia –
recorda o Papa na sua mensagem aos bispos espanhóis – o mundo
necessita que se anuncie e se testemunhe Deus que é amor e,
portanto, a única luz que , no fundo, ilumina a obscuridade do
mundo e nos dá a força para viver e atuar”.
Foi depois da visita à catedral, por volta das 13.30, que Bento
XVI se dirigiu a um numeroso grupo de seminaristas espanhóis,
congregados, juntamente com as respectivas famílias, no adro da
sé Valenciana. O Papa recordou-lhe que é “o amor – entrega
e fidelidade dos pais, assim como a concórdia na família – o
ambiente propício para escutar a chamada divina e acolher o dom
da vocação”. E o Santo Padre concluiu, antes da recitação
do Angelus, convidando os seminaristas espanhóis a aprenderem
da Virgem Maria como se acolhe sem reservas – com alegria e
generosidade - esta chamada”.
Depois do almoço, no Palácio Episcopal, o Papa manterá um
encontro com a família real no Palácio Generalitat, e de
retorno à Palácio Episcopal encontrará o chefe de governo da
Espanha, José Luís Rodriguez Zapatero. Às 21h o Papa
transferir- se- á para a Cidade das Artes e das Ciências para
a conclusão festiva do V Congresso Mundial das Famílias. A
noite terminará com uma festa de fogos de artifício que
iluminará os céus de Valença, nesta semana, capital mundial
da família. E neste domingo a missa conclusiva às 9h30 da manhã,
com a participação prevista de um milhão de pessoas.
1)
"Transmitir a fé na família" - foi a homilia
do Papa Bento XVI na missa de encerramento do Encontro Mundial
das Famílias. O próximo será no México.
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09
JUL 2006.-
“A família, assente no matrimónio indissolúvel entre um
homem e uma mulher, exprime a dimensão relacional, filial e
comunitária (do ser humano), (constituindo) o âmbito onde o
homem pode nascer com dignidade, crescer e desenvolver-se de um
modo integral”. “Os pais têm o direito e o dever de
transmitir aos filhos o património de experiência que eles próprios
receberam”, iniciando-os também no encontro com Deus”.
Recordou-o com vigor o Papa Bento XVI, na homilia da Missa
conclusiva do Encontro Mundial das Famílias, neste domingo de
manhã, em Valência, com a participação de um número incontável
de fiéis.
O pontífice começou por sublinhar que a família se apresenta
“como uma comunidade de gerações e garante de um património
de tradições”. E isso porque “nenhum homem dá a si mesmo
o ser nem adquiriu por si só os conhecimentos elementares da
vida. Todos recebemos de outros a vida e as verdades básicas”.
Todos “estamos chamados a alcançar a perfeição em relação
e em comunhão amorosa com os outros”. “Quando um filho
nasce, através da relação com os seus pais ele começa a
fazer parte de uma tradição familiar, que tem raízes ainda
mais antigas.” “Os pais têm o direito e o dever inalienável
de transmitir aos filhos (esse patrimônio familiar): educá-los
na descoberta da sua identidade, iniciá-los na vida social, no
exercício responsável da sua liberdade moral e da sua
capacidade de amar através da experiência de ser amados e,
sobretudo, no encontro com Deus”.
“Na origem de todo o homem e mulher, e portanto em toda a
paternidade e maternidade humana está presente Deus Criador.
Por isso os esposos devem acolher à criança que lhes nasce
como filho que não é apenas seu, mas também de Deus que o ama
por si mesmo e o chama à filiação divina. Mais ainda: toda a
geração, toda a paternidade e maternidade, toda a família tem
o seu princípio em Deus, que é Pai, Filho e Espírito
Santo”.
Bento XVI insistiu no fato de que o que está “na origem de
todo o ser humano não o acaso ou a casualidade, mas sim um
projeto do amor de Deus”, como nos foi revelado por Jesus
Cristo, verdadeiro Filho de Deus e homem perfeito”, que
“conhecia de quem vinha e de quem vimos todos nós: do amor do
seu Pai e do nosso Pai”..
“A fé não é, portanto, mera herança cultural, mas sim uma
ação contínua da graça de Deus que chama e dá liberdade
humana que pode aderir ou não a essa chamada. Embora ninguém
possa responder por outrem, em todo o caso os pais cristãos estão
chamados a dar um testemunho credível da sua fé e esperança
cristã”.
Com o passar dos anos, este dom de Deus… precisará de ser
cultivado com sabedoria e doçura, fazendo crescer nos filhos a
capacidade de discernimento, levando-os a fazerem seu o dom da fé,
descobrindo juntamente com a comunidade cristã o sentido
profundo da existência”.
Como já recordara na vigília de sábado à noite, também
nesta homilia da Missa conclusiva do encontro das Famílias, o
Papa referiu a importância de educar a liberdade e para a
liberdade”, advertindo porém sobre os desvios em relação à
verdadeira liberdade cristã: “Na cultura actual, muitas vezes
exalta-se a liberdade do indivíduo concebido como sujeito autônomo,
como ele se se fizesse a si próprio, independentemente da sua
relação com os outros e alheio à sua responsabilidade para
com eles.”
“Pretende-se organizar a vida social só a partir de desejos
subjetivos e mutáveis, sem qualquer referência a uma verdade
objectiva prévia como são a dignidade de cada ser humano com
seus deveres e direitos inalienáveis, ao serviço do qual se
deve colocar todo o grupo social.
“A Igreja não cessa de recordar que a verdadeira liberdade do
ser humano provém do fato de ter sido criado à imagem e
semelhança de Deus. A educação cristã é, portanto, educação
da liberdade e para a liberdade. Nós fazemos o bem não como
escravos, que não são livres de agir de outro modo, mas sim
porque somos pessoalmente responsáveis em relação ao mundo;
porque amamos a verdade e o bem, porque amamos o próprio Deus
e, portanto, também as suas criaturas. É esta a verdadeira
liberdade, à qual nos quer conduzir o Espírito Santo”.
O Papa convidou os fiéis cristãos, antes de mais os esposos,
filhos e pais, a porem os olhos em “Jesus Cristo o homem
perfeito, exemplo de liberdade filial”. E sublinhou que
reconhecer e ajudar a instituição (matrimonial) “é um dos
maiores serviços que se podem prestar hoje em dia ao bem comum
e ao verdadeiro desenvolvimento dos homens e das sociedades,
assim como a melhor garantia para assegurar a dignidade, a
igualdade e a verdadeira liberdade da pessoa humana”.
Quase a concluir a sua homilia, Bento XVI evocou a figura de
Maria, “imagem exemplar de todas as mães, da sua grande missão
como guardiães da vida, da sua missão de ensinar a arte de
viver, a arte de amar”.
O próximo encontro mundial das famílias será no México. A
noticia foi dada pelo próprio Bento XVI no final da celebração
da Missa em Valência, saudando em várias línguas.
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