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Viagem apostólica do Papa à Turquia

de 28 a 1 de dezembro de 2006

Fonte: Agência VIS e Rádio Vaticano

VISITA DO PAPA À TURQUIA 
                        Sumário:                     

01/12/2006 - Missa na Catedral Católica do Espírito Santo em Estambul

30/11/2006 - Declaração conjunta firmada pelo Papa Bento XVI e Bartolomeu I

29/11/2006 - Chegada do Papa a Estambul e  encontro com Bartolomeu I

29/11/2006 - Em Éfeso, Papa encoraja pequena comunidade católica turca

29/11/2006 - Papa, em Éfeso, pede pela paz para a Terra Santa e para o mundo inteiro

28/11/2006 - Papa Bento XVI chega a Ankara e é recebido pelo primeiro-ministro turco

27/11/2006 - Dimensão pastoral da visita do Papa à Turquia

1) "Dimensão pastoral da visita do Papa à Turquia  (Rádio Vaticano)

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RV - 27/11/2006 -  A viagem apostólica de Bento XVI á Turquia de 28 deste mês a 1 de Dezembro terá três dimensões fundamentais, resultantes do encontro com católicos, cristãos de outras confissões e fiéis de outras religiões.

 

O Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias, Arcebispo Piero Marini, refere na apresentação da viagem que esta tem uma “dimensão pastoral”, ou seja, o encontro do Papa com a pequena minoria católica “para confirmá-la na fé” num momento em que estão a surgir "formas de intolerância religiosa". Outro aspecto importante é a dimensão ecumênica, isto é, “o abraço ao Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, para renovar a prioridade do ecumenismo”.

 

Não menos importante é a dimensão inter-religiosa da viagem, "pela superação dos confrontos que, ao longo dos séculos, contrapuseram entre si judeus, cristãos e muçulmanos". O diálogo com o mundo islâmico assume um relevo particular.

 

“A Turquia, que acolhe em si diversas tradições religiosas, é como uma varanda sobre o Médio Oriente, desde a qual se pode reforçar os valores do diálogo inter-religioso, da tolerância, da reciprocidade e da laicidade do Estado”, pode ler-se na apresentação da visita papal.

 

O Arcebispo Marini ressalta as raízes bíblicas da Turquia, lembrando que ali teve início a grande viagem da fé, quando Abraão deixa Harã, um sítio arqueológico no sul da atual Turquia.

 

O arcebispo recorda que a Ásia Menor, correspondente mais ou menos à atual Turquia, foi a primeira terra de missão da comunidade cristã. Tendo partido de Jerusalém, São Barnabé chega a Tarso, na Silícia, tomando consigo Paulo para fundar a primeira Igreja dessa região em Antioquia: ali pela primeira vez os discípulos de Jesus foram chamados "cristãos". São Paulo é o grande evangelizador daquelas terra. Também Pedro, André e João levaram o Evangelho àqueles lugares.

 

Em Éfeso, segundo a tradição, Maria viveu os últimos anos de sua vida na companhia de João evangelista, e foi ali que, sempre segundo uma antiga tradição, ela foi Assunta ao Céu.

 

Os Atos dos Apóstolos, a primeira carta de Pedro, as cartas de Paulo aos Efésios, aos Colossenses, aos Gálatas e a Timóteo, e a carta às sete Igrejas da Ásia - relatadas no Apocalipse de João - descrevem a fascinante, mas difícil, vida daquelas primeiras comunidades cristãs fora da Terra Santa.

 

Nesta viagem são assinaladas duas datas significativas, relativas a grandes testemunhas da fé: o XVII centenário do nascimento de Efrém (306) e o XVIII centenário da morte de São João Crisóstomo (407).

2) Bento XVI chega a Ankara e é recebido pelo primeiro-ministro turco (Agência VIS)

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RV  28/11/2006 -Bento XVI iniciou na manhã desta terça feira uma viagem à Turquia, onde permanecerá até à próxima sexta-feira. Bento XVI admitiu esta manhã que se vive um “momento difícil” na história da humanidade e apelou à “colaboração” pela paz em todo o mundo. Na conferência de imprensa improvisada, à bordo do avião que o levou até à Turquia, o Papa admitiu que a sua viagem pretende ser um estímulo para o diálogo e que sente a “responsabilidade” de promover a “compreensão” entre culturas e religiões. Quanto ao povo turco, disse, é “hospitaleiro, aberto e deseja a paz”.


Para Bento XVI, é importante que a Europa repense o seu “laicismo” e que a Turquia deve “reconstruir para o futuro o nexo entre laicidade e tradição”.


Como habitualmente, o Papa enviou um telegrama aos Chefes de Estado que o seu voo sobrevoa. Ao presidente da Itália, Giorgio Napolitano, Bento XVI assegurou que fará esta viagem para “encorajar o diálogo ecuménico e inter-religioso”.

Ao presidente da Albânia, Alfred Moisiu, o Papa enviou uma mensagem pedindo para o seu povo “dons da paz e da prosperidade”. Ao presidente grego, Karolus Papoulias, Bento XVI enviou as mais “fervorosas saudações”.
Numa decisão de última hora, o gabinete do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan tinha anunciado ontem que o chefe de Governo turco se reuniria rapidamente com o Papa Bento XVI no aeroporto de Ankara, antes do chefe do governo turco partir para a reunião da NATO na Letónia. O colóquio privado entre Bento XVI o primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, durou mais de 15 minutos e ficou marcado pelo apelo a um aprofundamento nas relações entre a Santa Sé e a Turquia. Erdogan acompanhou o Papa até ao automóvel que o transportou até ao mausoléu do pai da Nação, Kemal Ataturk.


Bento XVI manifestou a sua vontade de aprofundar as relações entre as duas partes e “ajudar no encontro entre culturas, trabalhando para a paz”. Erdogan, por seu lado, exprimiu a sua “alegria” por receber o Papa, referindo que esta visita acontece “num tempo muito diverso, muito particular”, lembrando a importância de uma “aliança de civilizações” – iniciativa em que o próprio está comprometido, juntamente com Kofi Annan e José Luis Rodriguez Zapatero.


Erdogan, em conferência de imprensa, disse após o encontro estar “satisfeito” pela presença de Bento XVI. As televisões deram ênfase ao gesto “surpresa” do primeiro-ministro, que acolhera pessoalmente o Papa à saída do Airbus A-321 da Alitalia, que o transportara de Roma a Ankara. O Vaticano considerara ontem que o encontro entre o Papa e o primeiro-ministro turco era um sinal "positivo" e "um gesto de atenção em relação à Santa Sé, que é muito apreciado", como declarou o padre Federico Lombardi, director da sala de imprensa da Santa Sé.
Hoje, além do encontro com o Primeiro Ministro, no aeroporto o Papa visitou em seguida o Mausoléu de Atatürk, pai da Nação turca. No livro de ouro Bento XVI escreveu:


"Nesta terra ponto de encontro e encruzilhada de religiões e culturas diferentes, charneira entre a Ásia e a Europa, de bom grado faço minha as palavras do fundador da Republica turca para exprimir votos de ”paz na pátria, paz no mundo". 


Mais tarde Bento XVI encontrou-se com o Presidente da República, no Palácio Presidencial e terá um encontro com o Presidente para os Assuntos Religiosos. Às 18.30 hora local, na sede da Nunciatura Apostólica encontrará o Corpo Diplomático na Turquia.

De Ankara, Bento XVI partirá nesta quarta feira para Éfeso (localidade ligada à vida de Nossa Senhora e do Apóstolo São João), onde celebrará a Missa, chegando á tarde a Istambul, onde terá lugar uma visita de oração à Igreja Patriarcal de S. Jorge e um encontro privado com o Patriarca Ecuménico Bartolomeu I.

 

3) Bento XVI em Éfeso pede pela paz na Terra Santa (Rádio Vaticano)

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RV 29/11/2006 - A viagem de Bento XVI à Turquia teve nesta quarta feira uma segunda etapa. Durante a manhã o Papa deslocou-se a Éfeso onde se encontra um importante santuário mariano e na parte da tarde chegará a Istambul para um primeiro encontro com Bartolomeu I, o Patriarca Ecuménico ortodoxo com o qual assinará nesta quinta feira uma declaração comum.


A atual Turquia carrega consigo a herança de inúmeras variadas civilizações - hitita, macedônica, grega, romana, bizantina, muçulmana e otomana – e pode ser considerada, com justiça, um dos berços do Cristianismo.

Apesar da pequena comunidade católica que ali reside actualmente, Bento XVI não quis deixar de manifestar a sua proximidade, indo, precisamente, a um dos locais mais importantes da memória cristã da Turquia: Éfeso, onde está a “Casa da Mãe de Deus”. Nesta antiga metrópole na costa turca do mar Egeu existiu um importante centro cristão, logo nos primeiros anos após a morte de Jesus. Os apóstolos João e Paulo viveram em Éfeso e, de acordo com a tradição, também a mãe de Jesus aqui terá vivido os últimos anos da sua vida, antes de morrer, como o próprio Bento XVI fez questão de lembrar.


A “Casa Mãe de Deus” é o lugar da tradição cristã mais importante e foi visitada esta, quarta-feira, pelo Papa. Bento XVI celebrou ali uma Missa ao ar livre, sendo o terceiro Papa a visitar o lugar, depois de Paulo VI e João Paulo II. Paz para a humanidade inteira, paz para o Médio Oriente. Bento XVI escolheu o santuário da Casa de Maria de Éfeso, meta continua de peregrinação tanto para os cristãos como para os muçulmanos, para invocar a reconciliação entre os povos.


O seu pensamento correu uma vez mais á Terra Santa. Já nesta terça feira, na sede da Nunciatura Apostólica em Ankara, perante o Corpo Diplomático, tinha encorajado soluções negociadas estáveis e duradoiras para pôr termo à instabilidade e à violência.


“ Elevemos ao Senhor uma oração especial pela paz entre os povos. Desta nesga da Península anatólica, ponte natural entre continentes, invoquemos paz e reconciliação antes de mais para aqueles que vivem na Terra que chamamos “santa e que tal é considerada tanto pelos cristãos como pelos judeus e muçulmanos: é a terra de Abraão, de Isaac e de Jacó , destinada a hospedar um povo que se tornasse bênção para todas as gentes .
Paz para a humanidade inteira! Que em breve possa realizar-se a profecia de Isaías: das suas espadas forjarão relhas de arados, e das suas lanças, foices. Uma nação não levantará a espada contra outra nação, e não se adestrarão mais para a guerra”


Desta paz universal precisamos todos; desta paz a Igreja é chamada a ser não só anunciadora profética, mas ainda mais “sinal e instrumento”. Precisamente nesta perspectiva de pacificação universal, torna-se mais profundo e intenso o desejo veemente da plena comunhão e da concórdia entre todos os cristãos.Nesta homilia da Missa celebrada em Éfeso Bento XVI citou depois uma passagem da Carta de São Paulo aos Efésios para introduzir uma reflexão sobre a figura de Cristo salvador que veio para anunciar a paz entre todas as nações porque todas provêem do mesmo Deus

 

4) O Papa encoraja pequena comunidade católica em Éfeso (Agência VIS)

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VIS,  29 NOV 2006 (VIS).- Esta manhã, às 08:00 hs, Bento XVI se deslocou de avião de Ankara a Esmirna e dali se trasladou em automóvel para Éfeso.

 

Éfeso, um dos lugares arqueológicos mais famosos do Mediterrâneo, conta atualmente com 18.000 habitantes. Na antiguidade, entre seus monumentos estava o templo de Diana, uma das sete maravilhas do mundo. A cidade foi também um dos centros das primeiras comunidades cristãs e nela residiu durante três anos São Paulo. São João Evangelista viveu e morreu ali. Em 431, celebrou-se em Éfeso o concílio Ecumênico que proclamou a maternidade divina de Maria.

 

O Santuário de Meryem Ana Eví (Casa da Mãe Maria), a 4 km de Éfeso, onde o Papa se  encontrou com a comunidade católica residente na Turquia, é um centro de culto mariano único no mundo, se bem que não existem provas arqueológicas de que efetivamente tenha sido a residência da Virgem.  Uma tradição do século I e um testemunho sírio do século XIII narram,  por sua vez, que Maria viveu em Éfeso com São João Evangelista. O santuário é freqüentado não só pelos cristãos, mas também por muçulmanos que se detém aqui para venerar Maria, antes de prosseguir sua peregrinação à mesquita de Isa Bey. 

 

Bento XVI chegou às 11:30 horas ao convento dos frades capuchinhos do santuário e se deteve uns instantes na capela e na sacristia. Às 12:00 hs começou a Santa Missa. Em sua homilia o Papa deu antes de tudo graças a Deus pela "maternidade divina de Maria", e afirmou que Éfeso era "um dos lugares mais queridos pela comunidade cristã". Depois recordou as visitas a  esse lugar por Paulo VI e João Paulo II e  recordou especialmente ao beato João XXIII, representante pontifício na turquia de 1935 a 1944. 

 

João XXIII, disse o Papa, "deixou a  Igreja e ao mundo o dom de uma atitude espiritual de otimismo cristão,  baseado em uma fé profunda e uma união constante com deus. animado por esse espírito me dirijo a esta nação e de forma particular ao "pequeno rebanho" de Cristo que vive aqui, para encorajá-lo e manifestar-lhe o afeto de toda a Igreja". 

 

O Papa se referiu depois à carta de São Paulo aos efésios, que contém o lema de sua viagem apostólica à Turquia,  "Cristo é nossa paz".  "O apóstolo - disse Bento XVI - explica que desta forma, realmente imprevisível, a paz messiânica se  realiza na pessoa de Cristo em seu mistério salvífico. O explica (...) enquanto se encontra prisioneiro, à comunidade cristã que vivia aqui em Éfeso.  O apóstolo lhes deseja "graça e paz de Deus, Pai Nosso e de Nosso Senhor Jesus Cristo.  A "graça" é a força que transforma ao ser humano e  ao mundo;  a "paz" é o fruto maduro dessa transformação.  Cristo é a graça. Cristo é a paz".  

 

Bento XVI recordou que São Paulo, referindo-se à relação entre judeus e gentis, escreve que Cristo "fez dos dois povos um só, uma afirmação que "pode estender-se, em âmbito analógico, às relações entre os povos e as  civilizações presentes no mundo: Cristo veio anunciar a paz (...) entre todas as nações, porque todas procedem do mesmo Deus".  

 

"Desde este extremo da península de Anatólia, ponte natural entre continentes - exclamou o Papa-, invocamos paz e reconciliação antes de tudo para os que vivem na terra que chamamos "santa" e que é considerada assim por cristãos, judeus e muçulmanos,  é a terra de Abraão, de Isaque e de Jacós, destinada a albergar um povo que foi abençoado para todas as gentes.  Paz para toda a humanidade!  Que se cumpra prontamente a profecia de Isaías (...) "Não levantará espada nação contra nação nem se exercitarão mais na guerra!". 

 

"Todos necessitamos desta paz universal, a Igreja está chamada não só a anunciar profeticamente a paz, mas a ser seu "sinal e instrumento". Nesta perspectiva de pacificação universal, se faz mais profunda e intensa a  aspiração até a plena comunhão e a  concórdia entre os cristãos".  

 

O Papa afirmou que era ocasião de "alegria e  louvor a deus" que na cerimônia participassem católicos de diversos ritos. "Esses ritos - disse - são expressão dessa admirável variedade da que se adorna a Esposa de Cristo, sempre que convergem na unidade e no testemunho comum".  

 

"Queridos irmãos e irmãs - concluiu o Santo Padre-, com esta visita quero que sintais o amor e a proximidade espiritual, não somente meus, senão da Igreja universal à comunidade cristã que aqui, na Turquia, é efetivamente uma pequena minoria e enfrenta um dia após outro não poucos desafios e dificuldades", e convidou a recordar o Magnificat de Maria, "com alegria, inclusive quando estamos submetidos a  dificuldades e perigos, como testifica o formoso testemunho do sacerdote romano Andrea Santoro (assassinado em fevereiro enquanto rezava em uma igreja de Trebisonda n.d.r), ao que recordo com esta cerimônia".  

 

Esta tarde o Papa se deslocará de Esmirna a Estambul para encontrar-se com o patriarca ecumênico Bartolomeu I.

 

5) Chegada do Papa a Estambul e encontro com Bartolomeu I (Rádio Vaticano)

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RV 29/11/2006 -  Na sua viagem pastoral à Turquia Bento XVI chegou esta tarde a Istambul onde já se encontrou-se com o Patriarca Bartolomeu I, “primus inter pares” dos Patriarcas Ortodoxos e um homem capaz de estimular, de forma significativa, o diálogo entre as duas Igrejas.


O primeiro convite para esta visita pastoral partira, efetivamente, do Patriarcado de Constantinopla, para a celebração da Festa litúrgica de Santo André, em 30 de Novembro. O irmão de São Pedro, é considerado fundador da Igreja nesta localidade.


“Não contam os números, nem a quantidade. É o peso simbólico, histórico e espiritual que conta”, referiu Bento XVI ainda antes da sua partida, consciente de que os ortodoxos de Istambul são hoje poucos milhares, muito poucos quando comparados, por exemplo, com os de Moscovo.


O Papa lembrou que “Constantinopla, como segunda Roma, sempre foi uma referência para a Ortodoxia, que nos deu a grande cultura bizantina ortodoxa e permanece, ainda, como uma referência para o mundo ortodoxo e todo o cristianismo”.


O encontro entre os dois líderes – embora Bartolomeu I não tenha uma jurisdição universal, ao contrário do Papa – constitui um dos momentos fundamentais desta viagem e um passo importante na busca da unidade dos cristãos.


Bartolomeu I escreveu um artigo para o jornal do Vaticano, L’Osservatore Romano, no qual manifesta a “grande alegria” com que recebe o Papa. A visita, assegura, “demonstra a nossa profunda convicção e a nossa disponibilidade para intensificar o diálogo”, que deve passar pelas dimensões do “amor, da verdade e do respeito recíproco”.


Quando Bento XVI chegou esta tarde ao Aeroporto Kemal Attaturk, em Istambul, o Patriarca Ortodoxo estava à sua espera. Em seguida seguiram para a Igreja de São Jorge, para um cerimónia oficial de boas-vindas e uma “doxologia” de acção de graças, com troca de cumprimentos e relíquias.


“Com um caloroso abraço, nós damos-lhe as boas vindas na bendita circunstância da sua primeira visita á cidade, como os nossos predecessores, os patriarcas ecumênicos Atenágoras e Dimitrio, acolheram os vossos predecessores, os papas Paulo VI e João Paulo II”.


Com estas palavras Bartolomeu I acolheu hoje no fim da tarde Bento XVI na igreja de São Jorge, coração do patriarcado ecuménico que tem sede na antiga Bizâncio hoje Istambul.


“Estes veneráveis homens de Igreja - recordou o patriarca ortodoxo – aperceberam-se do valor inestimável e a necessidade urgente destes encontros, no caminho de reconciliação, através do diálogo do amor e da verdade. Por isso – prosseguiu Bartolomeu I, sempre dirigindo-se ao Papa - nós estamos aqui, ambos como seu sucessores nas cátedras de Roma e da Nova Roma, igualmente responsáveis pelos passos dados ao longo do caminho e ,obviamente, também por aquele não dados.


Ao Papa, o patriarca recordou depois o empenho comum de obedecer ao comando do Senhor, que os discípulos sejam uma só coisa”.


“Que este encontro renove o nosso afeto mútuo, o compromisso comum para perseverar no itinerário que leva à reconciliação e à paz entre as Igrejas”, disse o Papa respondendo à saudação do Patriarca Ecumênico.
Bento XVI manifestou a sua “alegria” pela oportunidade de fazer esta visita, a primeira de um Papa em 27 anos, e agradeceu o “acolhimento fraterno” que lhe foi reservado. Para o Papa, apenas um “fundamento de amor recíproco” pode assegurar o desenvolvimento das relações entre as duas Igrejas, sendo fundamental “reforçar a dinâmica para uma compreensão recíproca e a busca da plena unidade”.


Falando da Turquia como terra ligada à fé cristã, o Papa lembrou os mártires, monges, teólogos, pastores, santos e santas que Constantinopla viu nascer. Em especial, lembrou Gregório de Nazianzo e João Crisóstomo, Santos e Doutores da Igreja venerados no Ocidente e no Oriente.

Amanhã de manhã, na “Divina Liturgia” na igreja patriarcal de São Jorge, o Papa e Bartolomeu I trocarão uma saudação de paz e, posteriormente, assinarão uma declaração conjunta. A igreja de São Jorge é a igreja -mãe do Patriarcado de Constantinopla.


A viagem papal inclui ainda um encontro com o Patriarca arménio Mesrop e ainda com o metropolita sírio-ortodoxo Filuksinos.

6) Declaração conjunta firmada por Bento XVI e  Bartolomeu I (Agência VIS)

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VIS, 30 NOV 2006 (VIS).- Ao terminar a Divina Liturgia celebrada esta manhã na igreja patriarcal de São Jorge, Bento XVI e Bartolomeu I firmaram uma declaração conjunta no Patriarcado Ecumênico, em Estambul.  Na declaração, o Papa e o patriarcado ecumênico de Constantinopla recordam os encontros de seus predecessores, que "mostraram ao mundo a  urgência da unidade e trouxeram caminhos seguros para alcançá-la, mediante o diálolo, a  oração e a  vida eclesial cotidiana".

 

"Como pastores - escrevem - temos refletido sobretudo acêrca da missão de anunciar o Evangelho no mundo de hoje. (...) Além disso, não podemos ignorar o crescimento da secularização, do relativismo e inclusive do niilismo, sobretudo no mundo ocidental.  Tudo isto exige um anúncio do Evangelho renovado e decidido, que se adapte às culturas do nosso tempo. Nossas tradições represemtam um patrimônio que deve ser compartilhado, proposto e atualizado continuamente. Por esse motivo, devemos reforçar as  colaborações e nosso testemunho comum ante todas as nações".  

 

Após ressaltar que foi "valorizado positivamente o caminho até a formação da União Européia", assinalaram que "os autores desta grande iniciativa não deixaram de levar em conta todos os aspectos que concernem à pessoa humana e seus direitos inalienáveis, sobretudo a  liberdade religiosa,  testemunha e  garantia do respeito de todas as  demais liberdades.  Em toda iniciativa de unificação, as minorias devem ser protegidas, com suas tradições culturais e as características próprias de cada religião". 

 

O Papa e o patriarca recordam também as dificuldades que devem enfrentar os cristãos em alguns lugares do mundo, "em partricular a pobreza, as guerras e o terrorismo, assim como as diversas formas de explotação dos pobres, emigrantes, mulheres e crianças. Estamos chamados a  empreender juntos ações em favor do respeito dos direitos humanos, de cada ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, do desenvolvimento econômico, social e cultural".

 

"Nossas tradições teológicas e  éticas - continuam - podem oferecer uma sólida base para a pregação e  ações comuns.  Acima de tudo queremos afirmar que a matança de inocentes em nome de Deus é uma ofensa a Ele e à dignidade humana. todos devemos comprometer-nos e, um serviço renovado ao ser humano e na defesa da vida humana, de toda vida humana". 

 

O  Santo Padre e  Bartolomeu I asseguram  continuar "com interesse na paz no Oriente Médio, onde Nosso Senhor viveu, sofreu, morreu e ressuscitou, e onde vive, há tantos séculos, uma multidão de irmãos cristãos. Desejamos ardentemente que a paz se restabeleça naquela terra, que se reforce a coexistência cordial entre suas diversas populações,  entre as Igrejas e as  diferentes religiões.  Para isso, exortamos ao estabelecimento de relações mais estreitas entre os cristãos e a  um diálogo inter-religioso autêntico e leal, para combater toda forma de violência e de discriminação".

 

"Frente aos grandes perigos para o ambiente natural na época atual, queremos expressar nossa preocupação pelas conseqüências negativas que podem derivar para a humanidade e  para toda a  criação, de um progresso econômico e tecnológico que não reconhece os próprios limites.  Como chefes religiosos, consideramos um dos nossos deveres encorajar e sustentar os esforços realizados para proteger a  criação de Deus e  para deixar às gerações futuras uma terra em que possam viver".

 

Terminado o ato, o Papa almoçou com Bartolomeu I no patriarcado ecumênico. 

 

Bento XVI visitará esta tarde o Museu de Santa Sofia e a Mesquita Azul, a maior de Estambul. Posteriormente se encontrará com Sua Beatitude Mesrob II, patriarcado armênio apostólico de Estambul, com o Metropólita sírio-ortodoxo,  Filuksinos Yusuf Cetin e na continuação com o Gran Rabino da Turquía, Isak Haleva. Pela noite estará com os membros do episcopado católico.

 

 

7) Missa na Catedral Católica do Espírito Santo em Estambul (Rádio Vaticano)

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1/12/2006- RV - “A Igreja não quer impor nada a ninguém. Pede apenas poder viver livremente, para revelar Aquele que ela não pode esconder: Cristo Jesus, que nos amou até ao fim sobre a Cruz e que nos deu o seu Espírito, presença viva de Deus no meio de nós e no mais íntimo de nós próprios. Sede sempre acolhedores ao Espírito de Cristo. Para tal, tornai-vos atentos àqueles que têm sede de justiça, de paz, de dignidade, de consideração por si mesmos e pelos irmãos”:


Palavras de Bento XVI, quase a concluir a homilia da última celebração da sua viagem à Turquia, nesta sexta de manhã, na catedral católica do Espírito Santo, em Istambul. Esclarecimento dirigido aos não cristãos e exortação dirigidas aos fiéis católicos, nesta Eucaristia em que participaram também o Patriarca Ecuménico Bartolomeu I, o Patriarca Arménio Apostólico, o Metropolita Siro-ortodoxo e representantes das Igrejas Protestantes.
Comentando as leituras da Missa, com a profissão de fé de Pedro, em Cesareia de Filipo, quando Jesus lhe diz “Feliz és tu… porque não foi a carne nem o sangue que te revelaram isto, mas o meu Pai que está nos céus, observou Bento XVI: “Sim, felizes nós quando o Espírito Santo nos abre à alegria de acreditar e quando nos faz entrar na grande família dos cristãos, a sua Igreja… ‘É o mesmo Deus que age em todos’. ‘Cada um recebe o dom de manifestar o Espírito em vista do bem de todos’. Manifestar o Espírito, viver segundo o Espírito, não é viver apenas para si, mas sim aprender a conformar-se ao próprio Cristo Jesus, tornando-se, ao seu seguimento, servo dos irmãos. Aqui está um ensinamento bem concreto para cada um de nós”.


“Há vinte e sete anos, nesta mesma catedral, o meu predecessor o Servo de Deus João Paulo II fazia votos de que a alba do novo milénio se pudesse ‘levantar sobre uma Igreja que reencontrou a sua plena unidade para melhor testemunhar, no meio das tensões exacerbadas deste mundo, o amor transcendente de Deus, manifestado no seu Filho Jesus Cristo.


“Estes votos ainda se não realizaram, mas o desejo do Papa continua a ser o mesmo, e nos impulsiona - a todos nós, discípulos de Cristo, que avançamos com nossas lentidões e pobrezas no caminho em direcção à unidade – a agir incessantemente em vista do bem de todos, colocando no primeiro lugar das nossas preocupações eclesiais a perspectiva ecuménica. Viveremos então verdadeiramente segundo o Espírito de Jesus, ao serviço do bem de todos”.

 

                                                                      

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