RV
28/11/2006 -Bento
XVI iniciou na manhã desta terça feira uma viagem à Turquia,
onde permanecerá até à próxima sexta-feira. Bento XVI
admitiu esta manhã que se vive um “momento difícil” na
história da humanidade e apelou à “colaboração” pela paz
em todo o mundo. Na conferência de imprensa improvisada, à
bordo do avião que o levou até à Turquia, o Papa admitiu que
a sua viagem pretende ser um estímulo para o diálogo e que
sente a “responsabilidade” de promover a “compreensão”
entre culturas e religiões. Quanto ao povo turco, disse, é
“hospitaleiro, aberto e deseja a paz”.
Para Bento XVI, é importante que a Europa repense o seu
“laicismo” e que a Turquia deve “reconstruir para o futuro
o nexo entre laicidade e tradição”.
Como habitualmente, o Papa enviou um telegrama aos Chefes de
Estado que o seu voo sobrevoa. Ao presidente da Itália, Giorgio
Napolitano, Bento XVI assegurou que fará esta viagem para
“encorajar o diálogo ecuménico e inter-religioso”.
Ao
presidente da Albânia, Alfred Moisiu, o Papa enviou uma
mensagem pedindo para o seu povo “dons da paz e da
prosperidade”. Ao presidente grego, Karolus Papoulias, Bento
XVI enviou as mais “fervorosas saudações”.
Numa decisão de última hora, o gabinete do primeiro-ministro
Recep Tayyip Erdogan tinha anunciado ontem que o chefe de
Governo turco se reuniria rapidamente com o Papa Bento XVI no
aeroporto de Ankara, antes do chefe do governo turco partir para
a reunião da NATO na Letónia. O colóquio privado entre Bento
XVI o primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, durou mais de 15
minutos e ficou marcado pelo apelo a um aprofundamento nas relações
entre a Santa Sé e a Turquia. Erdogan acompanhou o Papa até ao
automóvel que o transportou até ao mausoléu do pai da Nação,
Kemal Ataturk.
Bento XVI manifestou a sua vontade de aprofundar as relações
entre as duas partes e “ajudar no encontro entre culturas,
trabalhando para a paz”. Erdogan, por seu lado, exprimiu a sua
“alegria” por receber o Papa, referindo que esta visita
acontece “num tempo muito diverso, muito particular”,
lembrando a importância de uma “aliança de civilizações”
– iniciativa em que o próprio está comprometido, juntamente
com Kofi Annan e José Luis Rodriguez Zapatero.
Erdogan, em conferência de imprensa, disse após o encontro
estar “satisfeito” pela presença de Bento XVI. As televisões
deram ênfase ao gesto “surpresa” do primeiro-ministro, que
acolhera pessoalmente o Papa à saída do Airbus A-321 da
Alitalia, que o transportara de Roma a Ankara. O Vaticano
considerara ontem que o encontro entre o Papa e o
primeiro-ministro turco era um sinal "positivo" e
"um gesto de atenção em relação à Santa Sé, que é
muito apreciado", como declarou o padre Federico Lombardi,
director da sala de imprensa da Santa Sé.
Hoje, além do encontro com o Primeiro Ministro, no aeroporto o
Papa visitou em seguida o Mausoléu de Atatürk, pai da Nação
turca. No livro de ouro Bento XVI escreveu:
"Nesta terra ponto de encontro e encruzilhada de religiões
e culturas diferentes, charneira entre a Ásia e a Europa, de
bom grado faço minha as palavras do fundador da Republica turca
para exprimir votos de ”paz na pátria, paz no mundo".
Mais tarde Bento XVI encontrou-se com o Presidente da República,
no Palácio Presidencial e terá um encontro com o Presidente
para os Assuntos Religiosos. Às 18.30 hora local, na sede da
Nunciatura Apostólica encontrará o Corpo Diplomático na
Turquia.
De
Ankara, Bento XVI partirá nesta quarta feira para Éfeso
(localidade ligada à vida de Nossa Senhora e do Apóstolo São
João), onde celebrará a Missa, chegando á tarde a Istambul,
onde terá lugar uma visita de oração à Igreja Patriarcal de
S. Jorge e um encontro privado com o Patriarca Ecuménico
Bartolomeu I.
3) Bento XVI em Éfeso pede pela paz na Terra Santa
(Rádio Vaticano)
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RV
29/11/2006 - A
viagem de Bento XVI à Turquia teve nesta quarta feira uma segunda
etapa. Durante a manhã o Papa deslocou-se a Éfeso onde se encontra
um importante santuário mariano e na parte da tarde chegará a
Istambul para um primeiro encontro com Bartolomeu I, o Patriarca Ecuménico
ortodoxo com o qual assinará nesta quinta feira uma declaração
comum.
A atual Turquia carrega consigo a herança de inúmeras variadas
civilizações - hitita, macedônica, grega, romana, bizantina, muçulmana
e otomana – e pode ser considerada, com justiça, um dos berços do
Cristianismo.
Apesar
da pequena comunidade católica que ali reside actualmente, Bento XVI
não quis deixar de manifestar a sua proximidade, indo, precisamente,
a um dos locais mais importantes da memória cristã da Turquia: Éfeso,
onde está a “Casa da Mãe de Deus”. Nesta antiga metrópole na
costa turca do mar Egeu existiu um importante centro cristão, logo
nos primeiros anos após a morte de Jesus. Os apóstolos João e Paulo
viveram em Éfeso e, de acordo com a tradição, também a mãe de
Jesus aqui terá vivido os últimos anos da sua vida, antes de morrer,
como o próprio Bento XVI fez questão de lembrar.
A “Casa Mãe de Deus” é o lugar da tradição cristã mais
importante e foi visitada esta, quarta-feira, pelo Papa. Bento XVI
celebrou ali uma Missa ao ar livre, sendo o terceiro Papa a visitar o
lugar, depois de Paulo VI e João Paulo II. Paz para a humanidade
inteira, paz para o Médio Oriente. Bento XVI escolheu o santuário da
Casa de Maria de Éfeso, meta continua de peregrinação tanto para os
cristãos como para os muçulmanos, para invocar a reconciliação
entre os povos.
O seu pensamento correu uma vez mais á Terra Santa. Já nesta terça
feira, na sede da Nunciatura Apostólica em Ankara, perante o Corpo
Diplomático, tinha encorajado soluções negociadas estáveis e
duradoiras para pôr termo à instabilidade e à violência.
“ Elevemos ao Senhor uma oração especial pela paz entre os povos.
Desta nesga da Península anatólica, ponte natural entre continentes,
invoquemos paz e reconciliação antes de mais para aqueles que vivem
na Terra que chamamos “santa e que tal é considerada tanto pelos
cristãos como pelos judeus e muçulmanos: é a terra de Abraão, de
Isaac e de Jacó , destinada a hospedar um povo que se tornasse bênção
para todas as gentes .
Paz para a humanidade inteira! Que em breve possa realizar-se a
profecia de Isaías: das suas espadas forjarão relhas de arados, e
das suas lanças, foices. Uma nação não levantará a espada contra
outra nação, e não se adestrarão mais para a guerra”
Desta paz universal precisamos todos; desta paz a Igreja é chamada a
ser não só anunciadora profética, mas ainda mais “sinal e
instrumento”. Precisamente nesta perspectiva de pacificação
universal, torna-se mais profundo e intenso o desejo veemente da plena
comunhão e da concórdia entre todos os cristãos.Nesta homilia da
Missa celebrada em Éfeso Bento XVI citou depois uma passagem da Carta
de São Paulo aos Efésios para introduzir uma reflexão sobre a
figura de Cristo salvador que veio para anunciar a paz entre todas as
nações porque todas provêem do mesmo Deus
4) O Papa encoraja pequena comunidade católica
em Éfeso (Agência
VIS)
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VIS,
29 NOV 2006 (VIS).-
Esta manhã, às 08:00 hs, Bento XVI se deslocou de avião de
Ankara a Esmirna e dali se trasladou em automóvel para Éfeso.
Éfeso,
um dos lugares arqueológicos mais famosos do Mediterrâneo,
conta atualmente com 18.000 habitantes. Na antiguidade, entre
seus monumentos estava o templo de Diana, uma das sete
maravilhas do mundo. A cidade foi também um dos centros das
primeiras comunidades cristãs e nela residiu durante três anos
São Paulo. São João Evangelista viveu e morreu ali. Em 431,
celebrou-se em Éfeso o concílio Ecumênico que proclamou a
maternidade divina de Maria.
O
Santuário de Meryem Ana Eví (Casa da Mãe Maria), a 4 km de Éfeso,
onde o Papa se encontrou com a comunidade católica
residente na Turquia, é um centro de culto mariano único no
mundo, se bem que não existem provas arqueológicas de que
efetivamente tenha sido a residência da Virgem. Uma tradição
do século I e um testemunho sírio do século XIII narram,
por sua vez, que Maria viveu em Éfeso com São João
Evangelista. O santuário é freqüentado não só pelos cristãos,
mas também por muçulmanos que se detém aqui para venerar
Maria, antes de prosseguir sua peregrinação à mesquita de Isa
Bey.
Bento
XVI chegou às 11:30 horas ao convento dos frades capuchinhos do
santuário e se deteve uns instantes na capela e na sacristia.
Às 12:00 hs começou a Santa Missa. Em sua homilia o Papa
deu antes de tudo graças a Deus pela "maternidade divina
de Maria", e afirmou que Éfeso era "um dos lugares
mais queridos pela comunidade cristã". Depois recordou as
visitas a esse lugar por Paulo VI e João Paulo II e
recordou especialmente ao beato João XXIII, representante
pontifício na turquia de 1935 a 1944.
João
XXIII, disse o Papa, "deixou a Igreja e ao mundo o
dom de uma atitude espiritual de otimismo cristão,
baseado
em uma fé profunda e uma união constante com deus. animado por
esse espírito me dirijo a esta nação e de forma particular ao
"pequeno rebanho" de Cristo que vive aqui, para
encorajá-lo e manifestar-lhe o afeto de toda a Igreja".
O
Papa se referiu depois à carta de São Paulo aos efésios, que
contém o lema de sua viagem apostólica à Turquia,
"Cristo é nossa paz". "O apóstolo - disse
Bento XVI - explica que desta forma, realmente imprevisível, a
paz messiânica se realiza na pessoa de Cristo em seu mistério
salvífico. O explica (...) enquanto se encontra prisioneiro, à
comunidade cristã que vivia aqui em Éfeso. O apóstolo
lhes deseja "graça e paz de Deus, Pai Nosso e de Nosso
Senhor Jesus Cristo. A "graça" é a força que
transforma ao ser humano e ao mundo; a
"paz" é o fruto maduro dessa transformação.
Cristo é a graça. Cristo é a paz".
Bento
XVI recordou que São Paulo, referindo-se à relação entre
judeus e gentis, escreve que Cristo "fez dos dois povos um
só, uma afirmação que "pode estender-se, em âmbito analógico,
às relações entre os povos e as civilizações
presentes no mundo: Cristo veio anunciar a paz (...) entre todas
as nações, porque todas procedem do mesmo Deus".
"Desde
este extremo da península de Anatólia, ponte natural entre
continentes - exclamou o Papa-, invocamos paz e reconciliação
antes de tudo para os que vivem na terra que chamamos
"santa" e que é considerada assim por cristãos,
judeus e muçulmanos, é a terra de Abraão, de Isaque e
de Jacós, destinada a albergar um povo que foi abençoado para
todas as gentes. Paz para toda a humanidade! Que se
cumpra prontamente a profecia de Isaías (...) "Não
levantará espada nação contra nação nem se exercitarão
mais na guerra!".
"Todos
necessitamos desta paz universal, a Igreja está chamada não só
a anunciar profeticamente a paz, mas a ser seu "sinal e
instrumento". Nesta perspectiva de pacificação universal,
se faz mais profunda e intensa a aspiração até a plena
comunhão e a concórdia entre os cristãos".
O
Papa afirmou que era ocasião de "alegria e louvor a
deus" que na cerimônia participassem católicos de
diversos ritos. "Esses ritos - disse - são expressão
dessa admirável variedade da que se adorna a Esposa de Cristo,
sempre que convergem na unidade e no testemunho comum".
"Queridos
irmãos e irmãs - concluiu o Santo Padre-, com esta visita
quero que sintais o amor e a proximidade espiritual, não
somente meus, senão da Igreja universal à comunidade cristã
que aqui, na Turquia, é efetivamente uma pequena minoria e
enfrenta um dia após outro não poucos desafios e
dificuldades", e convidou a recordar o Magnificat de Maria,
"com alegria, inclusive quando estamos submetidos a
dificuldades e perigos, como testifica o formoso testemunho do
sacerdote romano Andrea Santoro (assassinado em fevereiro
enquanto rezava em uma igreja de Trebisonda n.d.r), ao que
recordo com esta cerimônia".
Esta
tarde o Papa se deslocará de Esmirna a Estambul para
encontrar-se com o patriarca ecumênico Bartolomeu I.
5) Chegada do Papa a Estambul e encontro com
Bartolomeu I (Rádio
Vaticano)
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RV
29/11/2006 - Na sua viagem pastoral à Turquia Bento
XVI chegou esta tarde a Istambul onde já se encontrou-se com o
Patriarca Bartolomeu I, “primus inter pares” dos Patriarcas
Ortodoxos e um homem capaz de estimular, de forma significativa,
o diálogo entre as duas Igrejas.
O primeiro convite para esta visita pastoral partira, efetivamente, do
Patriarcado de Constantinopla, para a celebração da Festa litúrgica
de Santo André, em 30 de Novembro. O irmão de São Pedro, é
considerado fundador da Igreja nesta localidade.
“Não contam os números, nem a quantidade. É o peso simbólico,
histórico e espiritual que conta”, referiu Bento XVI ainda antes da
sua partida, consciente de que os ortodoxos de Istambul são hoje
poucos milhares, muito poucos quando comparados, por exemplo, com os
de Moscovo.
O Papa lembrou que “Constantinopla, como segunda Roma, sempre foi
uma referência para a Ortodoxia, que nos deu a grande cultura
bizantina ortodoxa e permanece, ainda, como uma referência para o
mundo ortodoxo e todo o cristianismo”.
O encontro entre os dois líderes – embora Bartolomeu I não tenha
uma jurisdição universal, ao contrário do Papa – constitui um dos
momentos fundamentais desta viagem e um passo importante na busca da
unidade dos cristãos.
Bartolomeu I escreveu um artigo para o jornal do Vaticano,
L’Osservatore Romano, no qual manifesta a “grande alegria” com
que recebe o Papa. A visita, assegura, “demonstra a nossa profunda
convicção e a nossa disponibilidade para intensificar o diálogo”,
que deve passar pelas dimensões do “amor, da verdade e do respeito
recíproco”.
Quando Bento XVI chegou esta tarde ao Aeroporto Kemal Attaturk, em
Istambul, o Patriarca Ortodoxo estava à sua espera. Em seguida
seguiram para a Igreja de São Jorge, para um cerimónia oficial de
boas-vindas e uma “doxologia” de acção de graças, com troca de
cumprimentos e relíquias.
“Com um caloroso abraço, nós damos-lhe as boas vindas na
bendita circunstância da sua primeira visita á cidade, como os
nossos predecessores, os patriarcas ecumênicos Atenágoras e
Dimitrio, acolheram os vossos predecessores, os papas Paulo VI e
João Paulo II”.
Com estas palavras Bartolomeu I acolheu hoje no fim da tarde Bento XVI
na igreja de São Jorge, coração do patriarcado ecuménico que tem
sede na antiga Bizâncio hoje Istambul.
“Estes veneráveis homens de Igreja - recordou o patriarca ortodoxo
– aperceberam-se do valor inestimável e a necessidade urgente
destes encontros, no caminho de reconciliação, através do diálogo
do amor e da verdade. Por isso – prosseguiu Bartolomeu I, sempre
dirigindo-se ao Papa - nós estamos aqui, ambos como seu sucessores
nas cátedras de Roma e da Nova Roma, igualmente responsáveis pelos
passos dados ao longo do caminho e ,obviamente, também por aquele não
dados.
Ao Papa, o patriarca recordou depois o empenho comum de obedecer ao
comando do Senhor, que os discípulos sejam uma só coisa”.
“Que este encontro renove o nosso afeto mútuo, o compromisso
comum para perseverar no itinerário que leva à reconciliação
e à paz entre as Igrejas”, disse o Papa respondendo à saudação
do Patriarca Ecumênico.
Bento XVI manifestou a sua “alegria” pela oportunidade de
fazer esta visita, a primeira de um Papa em 27 anos, e agradeceu
o “acolhimento fraterno” que lhe foi reservado. Para o Papa,
apenas um “fundamento de amor recíproco” pode assegurar o
desenvolvimento das relações entre as duas Igrejas, sendo
fundamental “reforçar a dinâmica para uma compreensão recíproca
e a busca da plena unidade”.
Falando da Turquia como terra ligada à fé cristã, o Papa lembrou os
mártires, monges, teólogos, pastores, santos e santas que
Constantinopla viu nascer. Em especial, lembrou Gregório de Nazianzo
e João Crisóstomo, Santos e Doutores da Igreja venerados no Ocidente
e no Oriente.
Amanhã de manhã, na “Divina Liturgia” na igreja patriarcal de São
Jorge, o Papa e Bartolomeu I trocarão uma saudação de paz e,
posteriormente, assinarão uma declaração conjunta. A igreja de São
Jorge é a igreja -mãe do Patriarcado de Constantinopla.
A viagem papal inclui ainda um encontro com o Patriarca arménio
Mesrop e ainda com o metropolita sírio-ortodoxo Filuksinos.
6) Declaração conjunta firmada por Bento XVI
e Bartolomeu I (Agência
VIS)
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VIS,
30 NOV 2006 (VIS).-
Ao terminar a Divina Liturgia celebrada esta manhã na igreja
patriarcal de São Jorge, Bento XVI e Bartolomeu I firmaram uma
declaração conjunta no Patriarcado Ecumênico, em Estambul.
Na
declaração, o Papa e o patriarcado ecumênico de
Constantinopla recordam os encontros de seus predecessores, que
"mostraram ao mundo a urgência da unidade e
trouxeram caminhos seguros para alcançá-la, mediante o diálolo,
a oração e a vida eclesial cotidiana".
"Como
pastores - escrevem - temos refletido sobretudo acêrca da missão
de anunciar o Evangelho no mundo de hoje. (...) Além disso, não
podemos ignorar o crescimento da secularização, do relativismo
e inclusive do niilismo, sobretudo no mundo ocidental.
Tudo isto exige um anúncio do Evangelho renovado e decidido,
que se adapte às culturas do nosso tempo. Nossas tradições
represemtam um patrimônio que deve ser compartilhado, proposto
e atualizado continuamente. Por esse motivo, devemos reforçar
as colaborações e nosso testemunho comum ante todas as
nações".
Após
ressaltar que foi "valorizado positivamente o caminho até
a formação da União Européia", assinalaram que "os
autores desta grande iniciativa não deixaram de levar em conta
todos os aspectos que concernem à pessoa humana e seus direitos
inalienáveis, sobretudo a liberdade religiosa,
testemunha e garantia do respeito de todas as demais
liberdades. Em toda iniciativa de unificação, as
minorias devem ser protegidas, com suas tradições culturais e
as características próprias de cada religião".
O
Papa e o patriarca recordam também as dificuldades que devem
enfrentar os cristãos em alguns lugares do mundo, "em
partricular a pobreza, as guerras e o terrorismo, assim como as
diversas formas de explotação dos pobres, emigrantes, mulheres
e crianças. Estamos chamados a empreender juntos ações
em favor do respeito dos direitos humanos, de cada ser humano,
criado à imagem e semelhança de Deus, do desenvolvimento econômico,
social e cultural".
"Nossas
tradições teológicas e éticas - continuam - podem
oferecer uma sólida base para a pregação e ações
comuns. Acima de tudo queremos afirmar que a matança de
inocentes em nome de Deus é uma ofensa a Ele e à dignidade
humana. todos devemos comprometer-nos e, um serviço renovado ao
ser humano e na defesa da vida humana, de toda vida
humana".
O
Santo Padre e Bartolomeu I asseguram continuar
"com interesse na paz no Oriente Médio, onde Nosso Senhor
viveu, sofreu, morreu e ressuscitou, e onde vive, há tantos séculos,
uma multidão de irmãos cristãos. Desejamos ardentemente que a
paz se restabeleça naquela terra, que se reforce a coexistência
cordial entre suas diversas populações, entre as Igrejas
e as diferentes religiões. Para isso, exortamos ao
estabelecimento de relações mais estreitas entre os cristãos
e a um diálogo inter-religioso autêntico e leal, para
combater toda forma de violência e de discriminação".
"Frente
aos grandes perigos para o ambiente natural na época atual,
queremos expressar nossa preocupação pelas conseqüências
negativas que podem derivar para a humanidade e para toda
a criação, de um progresso econômico e tecnológico que
não reconhece os próprios limites. Como chefes
religiosos, consideramos um dos nossos deveres encorajar e
sustentar os esforços realizados para proteger a criação
de Deus e para deixar às gerações futuras uma terra em
que possam viver".
Terminado
o ato, o Papa almoçou com Bartolomeu I no patriarcado ecumênico.
Bento
XVI visitará esta tarde o Museu de Santa Sofia e a Mesquita
Azul, a maior de Estambul. Posteriormente se encontrará com Sua
Beatitude Mesrob II, patriarcado armênio apostólico de
Estambul, com o Metropólita sírio-ortodoxo, Filuksinos
Yusuf Cetin e na continuação com o Gran Rabino da Turquía,
Isak Haleva. Pela noite estará com os membros do episcopado católico.
7) Missa na Catedral Católica do Espírito Santo
em Estambul (Rádio
Vaticano)
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1/12/2006-
RV - “A Igreja não quer impor nada a ninguém. Pede
apenas poder viver livremente, para revelar Aquele que ela não
pode esconder: Cristo Jesus, que nos amou até ao fim sobre a
Cruz e que nos deu o seu Espírito, presença viva de Deus no
meio de nós e no mais íntimo de nós próprios. Sede sempre
acolhedores ao Espírito de Cristo. Para tal, tornai-vos atentos
àqueles que têm sede de justiça, de paz, de dignidade, de
consideração por si mesmos e pelos irmãos”:
Palavras de Bento XVI, quase a concluir a homilia da última
celebração da sua viagem à Turquia, nesta sexta de manhã, na
catedral católica do Espírito Santo, em Istambul.
Esclarecimento dirigido aos não cristãos e exortação
dirigidas aos fiéis católicos, nesta Eucaristia em que
participaram também o Patriarca Ecuménico Bartolomeu I, o
Patriarca Arménio Apostólico, o Metropolita Siro-ortodoxo e
representantes das Igrejas Protestantes.
Comentando as leituras da Missa, com a profissão de fé de
Pedro, em Cesareia de Filipo, quando Jesus lhe diz “Feliz és
tu… porque não foi a carne nem o sangue que te revelaram
isto, mas o meu Pai que está nos céus, observou Bento XVI:
“Sim, felizes nós quando o Espírito Santo nos abre à
alegria de acreditar e quando nos faz entrar na grande família
dos cristãos, a sua Igreja… ‘É o mesmo Deus que age em
todos’. ‘Cada um recebe o dom de manifestar o Espírito em
vista do bem de todos’. Manifestar o Espírito, viver segundo
o Espírito, não é viver apenas para si, mas sim aprender a
conformar-se ao próprio Cristo Jesus, tornando-se, ao seu
seguimento, servo dos irmãos. Aqui está um ensinamento bem
concreto para cada um de nós”.
“Há vinte e sete anos, nesta mesma catedral, o meu
predecessor o Servo de Deus João Paulo II fazia votos de que a
alba do novo milénio se pudesse ‘levantar sobre uma Igreja
que reencontrou a sua plena unidade para melhor testemunhar, no
meio das tensões exacerbadas deste mundo, o amor transcendente
de Deus, manifestado no seu Filho Jesus Cristo.
“Estes votos ainda se não realizaram, mas o desejo do Papa
continua a ser o mesmo, e nos impulsiona - a todos nós, discípulos
de Cristo, que avançamos com nossas lentidões e pobrezas no
caminho em direcção à unidade – a agir incessantemente em
vista do bem de todos, colocando no primeiro lugar das nossas
preocupações eclesiais a perspectiva ecuménica. Viveremos então
verdadeiramente segundo o Espírito de Jesus, ao serviço do bem
de todos”.